ECOS

ECOS
Chittorgarh-India

terça-feira, 29 de maio de 2012

377> FIEL DEPOSITÁRIO


Meia luz no recinto
Paredes insensíveis
Um único espelho
Registra o que sinto

Tantos ventos já sopraram
Tantos anos já passaram
Lembranças se fundem
Confundem-se
Vejo sua filha a melancolia
Vidro estilhaçado na memoria
Um olhar seco e profundo
Esconde uma historia

Um acerto prévio com os Deuses
Com um aceno tudo se esvai
Eis aqui teu caminho
Eis aqui teu fel e tua gloria
Então sorria
Se foste o fiel depositário
De tudo que para ti reclamas
Se só tiveste exatamente
O que desejaste possuir
Lagrimas e risos
Sol e chuva
Exatamente para ti


Recife,29 de maio de 2012

domingo, 27 de maio de 2012

376> FLORES DE INVERNO


Sentimentos exilados que moram em mim
Memorias de campos distantes
Outrora esperando o retorno
Minha luz ilumina o oceano negro
A estrela da manhã ainda não chegou
Tudo se faz trevas
Sem formas
Sem cores

A distante fumaça sinaliza a partida
O agora é um lapso da razão
Mas flores existem no meu inverno
Meus doces jasmins
Abrem-se só para mim
Amo-as
É só o que sei fazer

Abrigos seguros e isolados
Animais que hibernarão
A vida desacelera
Quase para
Botões se fecham
Folhas que caem
E a morte então
Sim, existe a morte
Tudo escrito no inverno

E eu que prefiro a chuva?
No sopro gélido do vento
Os poros em alerta
O corpo tremulo
Coração acelerado
A alma em brasa
E tudo queimando ao meu redor


Recife, 24 de maio de 2012

quinta-feira, 24 de maio de 2012

375> UMA OUTRA ESTAÇÃO


Inercia que se afasta da dinâmica do pensar
Poderes tão efêmeros que não existem mais
Luzes que refletiam imagens distorcidas
Luta vibrante onde fui o cavaleiro mais tenaz
Marionete neste jogo de ganhos duvidosos

Existe uma mortalha que alguns vivos vestem
Existe uma montanha de ideias para mover
Caminhos tão obscuros que não se pode ver
Valores irreais subjugam os puros e reais
Em meio a esse caos saibam que não estou só

Cai do barco antigo em aguas turvas
Mas fui logo amparado
Belos seres do mar
Novos mares cristalinos
Um sonho ou uma revelação

O tempo logo mudará outra vez
As tempestades em breve silenciarão
O céu estará azul aos sobreviventes
Aos que zelaram e cuidaram dos seus
Uma outra estação em outros mares


Recife, 24 de Maio de 2012

terça-feira, 22 de maio de 2012

374> TERRA FIRME


Aqui estou enquanto as luzes se apagam
Mas ainda não era hora de dormir
Nenhuma gota cai deste céu tão cinza
Nenhuma lagrima provoca minha face
No diário escrevo o que isto significou
Sempre uma nova desculpa
Em partes

Entre a semente e o fruto o que se perdeu?
A dama do navio em chamas
Tenta atravessar o oceano
Muitas milhas onde eles zombam
Nas asas dessas noites infames
Onde cinco anos se queimam
Tao devagar

Nada vejo na linha do horizonte
Sem saudades das doces mentiras
Essa noite quero estar em paz
Bem vindo sou ao meu próprio mundo
Onde tudo prospera e a terra tudo dá
E sobre o meu amor pelo mar
Prefiro a terra firme

Recife(terra firme), 22 de maio de 2012

quinta-feira, 17 de maio de 2012

373> ESPAÇO-TEMPO DE TUDO

Onde esta meu mais profundo messias
Onde esta a Índia por onde peregrinei
Enquanto navegava por emotivos mares
Em que rochedos chocou-se minha esperança

As quadras escritas sempre foram claras
Olhos que tudo veem em um outro espaço
O que fiz e farei não se define no tempo
Pois nem para tudo existem arcanos

A morte agora segue o seu curso
As flores que nunca floresceram
Os sonhos que nunca se realizaram
Tudo se curva diante da nova vida

Assim é a chegada dos filhos dos filhos
No mesmo distante parto de estrelas
Entro naquela sala cheio de convicção
A adaga ritual e sei o que tenho de fazer

Mil e trezentos anos-luz desta esfera
Uma alma pronta se faz só espera
Nosso filho que chora a oportunidade
Que seja feito os designíos do alto

Novamente reconheço meu papel
Ajoelhado diante de tanta grandeza
Nascer e morrer se tornam efêmeros
Instrumentos de nossa transformação


Recife, 16 de maio de 2012

segunda-feira, 14 de maio de 2012

372> ECOS DOS OLHOS DE SITA


O que intentas ó filho de Ravana
Flechas ardilosas voam no éter
Onde nossos olhos não podem ver
Não lembras o destino dos teus
Esqueceste dos anos gloriosos de Rama
Quando os deuses viviam entre nós

A noite vem cheia de presságios
Durmo e acordo bem distante
Uma ghat banhada de sol
Um outro portal qualquer
Muitas vezes sem brilho algum

A confusão é só aparente
A coragem é iminente
Ouça os cânticos de vitória
Aquela voz, aquela voz.
Quem enfrentou o pior demônio
Usando um punhado de grama
Ajoelho-me diante de tua retidão

Agora nos tempos de ferro
Ecos de planetas distantes
Impregnaram meu atma
Nem mesmo as curvas de maia
Nem mesmo as retas do tempo
Obstruem este fervor
Pois vivi na época
Da beleza e pureza de Sita
E da nobreza de Hanuman
Agora posso ir em paz


Recife, 14 de Maio de 2012
Vedas, em seu maior epico Ramayana
aos interessados na retidão de sita e na importancia das pequenas coisa,
vide : Sita e Rama

domingo, 13 de maio de 2012

371> MAIS UMA VEZ


Não era minha intenção ter atenção
A mesa estava posta para muitos
Peras e morangos bem arrumados
Olhos famintos e a alma fervendo
Mas desta refeição não provei

Corri querendo ficar
De um lado para o mesmo lado
Fiquei quando quis fugir
Sempre, sempre do mesmo lado
Amanhã um novo sol brilhará
E não será mais o mesmo

Chame as crianças
Não quero mais brincar
Olha só seu rosto
Já vamos chegar
Nem sempre é fácil
Nem sempre é possível
Agora tanto faz
Só quero cair em mim mesmo
Vencer a guerra contra meu eu
Mais uma vez


Recife, 13 de maio de 2012

sábado, 12 de maio de 2012

370> LIMBO


Desagregar o universo com um toque
Permitir que tudo retorne ao principio
Sorrindo deixar tudo para trás
Chorando mesmo sem entender
E anos passando sob meus pés
Vida que se esvai sem você
Na cicatriz das ondas na areia
Efêmeras lembranças da maré
Enquanto tudo se parte
Tudo se rompe
Tudo deixa de ser 


Recife, concluido 12 de maio de 2012

sexta-feira, 11 de maio de 2012

369> A SETIMA ONDA DO MAR


Tudo soprava mais claro no ninho
A altitude serenava as sombras
A atitude amornava o sangue
Logo a vida se erguerá no horizonte

Tu que faz de mim um eterno peregrino
Força implicitamente explicita
Teu nome desconheço
Tua origem me é negada
E assim me conforto no sentir
Me realizo no sorrir
E todas as dores se tornam lei
Uma infância que não passa
Sublime paladar indescritível
Nessas ondas sou a espuma
Desta vida tão passageira

Gotículas de todas as coisas materiais
Seguem a gravidade do universo central
Bolhas de pensamentos leves flutuam
Ideias de tormento simplesmente afundam
Uma fada desenha a linha do céu
A mãe de todas as estrelas guias
Um senhor ordena o vento
Cavalgando na sétima onda do mar
E nós filhos dos filhos
Sangue do sangue
Rascunhos da perfeição
Nessa eterna ressureição


Recife, 11 de maio de 2012
Foto : Praia 02 - Morro de Sao Paulo

quarta-feira, 9 de maio de 2012

368> MONARCA


O por do sol agora avermelha-se ao longe
Quem ficou quando todos já partiram
Os ventos mais frios são o prenuncio
Inverno branco e mortal
Insipidamente monocromático

Mais uma noite jogada em alerta
Agua escorrendo entre os dedos
Areia contra a face
Mas bem lá dentro a alma velha
Sorri e gargalha ao reencontrar
A peculiaridade dos jovens
Tanta energia
Tanta audácia

Assim foi com a ultima monarca
Quando todos esperavam seu voo
As mais belas asas esquecidas do vento
Olhos tristes que aqui permaneceram
Dia após dia
Hora após hora
Desafiadora ate o ultimo momento
Descanse seus olhos linda borboleta
Não temos mais passado
Logo tudo será noite eterna
E sem palavras
Silenciaremos


Recife, 9 de maio de 2012
A historia da borboleta que não migrou
Link Imagem

terça-feira, 8 de maio de 2012

367> LUA VAIDOSA


Fui andar sozinho na praia
Sozinho?
Eis que vejo minha força derramada
A areia fria
Lençóis de prata
Cavaleiros invisíveis
Sereias presumíveis
Todo meu mundo maravilhoso
Maravilhoso

Quem me vê verdadeiramente?
Em meio a tantos olhos cegos
Sou o que sou só por hoje
Não vejo mais minhas pegadas
E a lua se enche de luz e se envaidece
Só para ser por mim apreciada
E porque não dizer amada
E porque não falar de amor

Vejo os castelos que teimas em destruir
Divago no plano sutil das construções
Onde tudo se realizará
Onde tudo se faz presente
Mesmo onde o tempo não importa mais
Pois tudo que existe ou já existiu
Sempre estará nos registros do universo
Mesmo que unicamente no meu
Pois o universo dentro de nós
É o único verdadeiro


Recife, 8 de maio de 2012
Foto: Lua em Rajendaprasad Ghat em Varanasi-India

segunda-feira, 7 de maio de 2012

366> ESTRELAS CADENTES


Fotografias em cores vivas
De um presente tão cinza
Fotografias empalidecidas
Testemunham nosso passado
Repleto das cores mais lindas

Em que mar distante navegas
Onde se abrigou tua alma
Que seres roubaram teu sorriso
Eu jurei trazer-te de volta
E cai diante dessa arrogância

Venho caminhando nessa existência
Trouxe candelabros das luzes do céu
Atiradas na terra sob o teu olhar
Marcas celestes do nosso reencontro
Assim como as nuvens que te falam

Sangue mostra o norte onde estou
Teu astrolábio nos mares da vida
Ou acaso sabes ler as estrelas?
Assim como soubeste do nosso passado
Ou tudo não passou de um sonho?

Recife, 7 de maio de 2012



 

quarta-feira, 2 de maio de 2012

365> QUARTA PRAIA


Quando tudo parecia desolação novamente
Os pássaros voavam em silencio voluntario
As estrelas brilhavam para não serem vistas
Eu não precisava de toda essa distancia
Eu não poderia viver esta ausência

De mãos dadas casais felizes na quarta praia
Um corredor de pensamentos noite a fora
Palavras espadadas em ouvidos sem escudos
Fome, desejo, fome de si, desejo de ti
Questão de quem via e quem não via o que já se sabia

Crianças corriam na areia sem medo
Tempo de expor a criança que cresceu
E nos crescemos também
Mas ainda temos medo
No fim da noite mais um sonho para decifrar
No fim da vida alguns sonhos para lamentar
Amanha o sol nasce novamente
E no decorrer do seu sobe e desce
Também viveremos novamente

Cheio de mistérios
Eternamente gratos ao ontem
Que tudo se faça como antes
Como a mulher dos sonhos
Como o homem das cartas


Morro de São Paulo, 29 de abril de 2012

quarta-feira, 25 de abril de 2012

364> AMAPOLA



Fotos antigas dos verões de nossas vidas
Uma valsa começa a executar suas notas
E tudo se esvazia só para te completar
Todos desaparecem sob o meu olhar

Anjos me sorriem como diamantes
As luzes eram tão brilhantes
Meus olhos se perdem no tempo
Décadas de sorrisos refletem
Em segundos naquela lagrima
Gotas de sonhos realizados

O campo onde floresceste não existe mais
A cor das tuas pétalas empalideceu
O teu aroma se perdeu
Teus espinhos não ferem mais
Os anos passaram sem avisar
E quando chegar a hora
Tudo me será impregnado
Rios de você irão me afogar
Cada minuto o desejo será meu altar
E cada segundo terá sentido
Terá nome
Terá lugar
Pois sempre esperarei a primavera
Após a noite das noites nos levar


Recife, 25 de abril de 2012
Feliz aniversario Larissa Lopes
Também postado na Fabrica de Letras

quinta-feira, 19 de abril de 2012

363> CANÇÃO DO FIM DA VIDA



Manto de sonhos vívidos não vividos
Na exata distancia de um querer
Moradores de uma única noite
Temendo a realidade da nova manhã

Em que mundo habita essas realidades?
Beijos imaginados e caricias não trocadas
O topo da terra tão perto
O desejo mais obvio tão distante

Quem podia prever todas as pegadas
A luz se curva sob a irresistível atração
Pois todas as vozes parecem uma só
E ninguém tem sempre a razão

Me foi permitido abrir o grande portão
Não fui escravizado pelo ferrolho metálico
Precipício de crâneos e a onda de dor
Desejo que logo a carne volte aos seus ossos
Roma e seus incontáveis prodígios
Roma e seu único suplicio

A privação do que mais amas
Todos os sentidos deslocados
Desamparo
Vazio
E tudo se engrandece
A sabedoria do verbo
As nuvens passam no céu
Os lobos caem sob suas presas
Mais leite para suas crias
Eis a canção do fim da vida


Recife, 19 de abril de 2012

segunda-feira, 16 de abril de 2012

362> INALDÍVEL



Por toda dor de uma cidade convulcionando em desamor
Sombras que se movem sem definicao indefinidamente
Perdao desperdiçado em preces ao grande temor
Sopro seco e corrosivo nas faces amedrontadas
Os desencontros e os sonhos desfeitos no amanhã
Antes mesmo do sol nos encarar face a face

O ar de pensamentos passados invade o recinto
Condominio dos espiritos presos ao elo do tempo
Correntes invisiveis nos navios rancorosos das horas
E tudo passa diante dos meus olhos de materia viva
Um brilho que encontra a alma uma unica vez
Inesquecivel vida

O espaco entre as rosas era preenchido por aromas
Um dia cinza era tão colorido e vivido para mim
Memorias da senhora dos passos inaudiveis
Torna realidade meus mais romanticos sonhos
E toda nevoa me leva a terra onde tudo se realiza
E toda morte me leva ao lugar onde tudo se encontra

Recife, 29 de março de 2012
Fotografia do lago sagrado de Pushkar-India .

domingo, 11 de março de 2012

361> MASSALA CHAI


Cada vez que o vento uiva
Respiro profundamente e penso:
Salve o povo do ar!

Cada vez que tento ser eu
O mundo me sorri
E as portas se abrem

Se ofendo os cegos falantes
É porque o visível nem sempre é desejado
Ou ate mesmo compreendido

Meu paladar sente o gosto do mundo
Minhas palavras só querem ser reais
E tudo não para de acontecer
E tudo não para de crescer
Sem nada para dizer
Sem lugar para ir
Os segredos acabaram
Sente-se e não diga nada
Tomemos um chá de massala
Brindemos a chegada do outono
Por todos os frutos
Por tudo que esta por vir


Gravatá,4 de março de 2012
Foto : Estrada para Jaisalmer

segunda-feira, 5 de março de 2012

360> HORIZONTE FLAMEJANTE



O vento sopra no horizonte flamejante
Fala de sonhos vividos ou não vividos
Vem do passado para o presente
Pois não existe futuro
E tudo silencia

Poeira encobre o sol que foi feito de poeira
A palavra magicamente permanece
Assim como foi dita
O corpo estremece
A mente amadurece
Pois as lagrimas a muito secaram
E só os cactos ainda florescem
Onde a noite nunca desce

Enterrem-me acima da terra
Amarela, quente e ressequida
Assim como esses anos de vida sem sonhos
Onde a vida é o único desejo
Tão eficaz e tão feliz
O que Brahma fez Shiva levou
O que sou o que fui não importa
Agradeço por ter estado aqui
Seja eu ou minha memoria



Deserto de Thar, fevereiro de 2012

domingo, 4 de março de 2012

359> NATARAJA


Os guardiões podiam me ver na multidão
Minha mãe me via uma criança
Na porta dos templos a miséria
Na minha cama os sonhos
Na cidade dos palácios reais

A morte nas lanças romanas
A morte por tanta fome
Minhas preces não eram ao acaso
Passos e palavras para sentir-me melhor
Minhas preces não eram para o passado

Mascando fumo na terra
Caminhando entre perdidos
Sem motivos para olhar para trás
A poeira prostituida das religiões
No mais sagrado dos meus lugares

Eu me senti tão Deus
E nós nunca estivemos separados
E todos serão consumados
Ardendo fora dos meus templos
Esmagados por suas consciências


Gravatá,3 de março de 2012

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

358> MINHA ÚNICA OFERTA


Vendo a tempestade que vem varrer
Frias Faces molhadas em desespero
Às vezes traço indevidos comentários
Mas a piedade sempre é mais rápida
Chega antes do som da porta fechando

Venha ate mim quando estiver só
Aqui você pode chorar
Pois na dor todos são iguais
Prometa lembrar-se desta noite
Esta é minha única oferta

Meus semelhantes não são semelhantes
Canibalismo é o que posso ver
Loucura é o que posso crer
Teus semblantes se vão distantes
Tempo de falar insanidades
Tempo de desculpas
Templo de falsos profetas
Falsos sorrisos

Crianças petrificadas na rua dos alcaloides
Crianças que vomitam em meus sonhos
O mundo e sua dialética
Tanta dor
Doenças da alma
Fui ao inferno além da linha vermelha
Voltei ao mundo em uma segunda-feira

Corações agora só se abrigam no peito
Olhos não mais refletem a alma
Onde o sol não se derrama no vale
Certo ou errado o tempo muda tudo
Cedo ou tarde eles te mostraram
Que não tens nada além do amor
E em sua cabeça esta toda a dor


Recife,18 de Janeiro de 2012
Créditos na foto

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

357> MAR DA TRANQUILIDADE


Ressonância de passos estalados
Um solo real, cíclico e emoldurado
Estrangeiro da esfera dourada
Limites e fronteiras distorcidas
Desgosto amarga em frenesi
Cisnei abatido no argenta
Víboras que moram nos espelhos
Devolvam vida ao olhar
Devolvam ar ao luar

Já se foi ou ainda será?
A salvo no próximo bosque
Novamente o nunca
Que antigamente era
Sempre o mesmo jamais

Cheio de graça no reverberar
Repleto de toda majestade
Pairando sobre o nosso olhar
Lençóis para Vollenweider
A mente foge ao cérebro
Tudo humano
Tudo tão restrito
O ki flui e reflui e o mar paralisa
Envolto em tantas benesses
Transtorno das marés
Ergam-se a te ti
E derrame-se sobre mim


Recife,10 de Janeiro de 2012
Link imagem

sábado, 7 de janeiro de 2012

356> COELHO BRANCO


Entre as duvidas inerentes à espécie
Cartas espalhadas à moda antiga
Olhos desgarrados no velho papel
A nova menina do coelho branco
Alia de todos os sonhos eis teu véu
Uma mentira ou uma promessa

Tarde demais para o colégio astral
As duas crianças e seus afazeres
Desmobilizando o organizado arsenal
Sei que agora sou o transportador
Mas ainda não devemos flutuar
Este é meu mundo, nobres gêmeos

Poucas vezes na vida pensamos quem somos
Soube que você andou crescendo esses anos
Então ate a próxima fria madrugada
Se puderes ser suficientemente forte
Bailando entre a incompreensão
Pousando para as mais belas cenas
Devorando as mais sabias conversas
Ate medires ser imensurável
E só assim mudar o mundano


Recife, Concluido 7 de Janeiro de 2012

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

355> TRANSMIGRAÇÃO


Muito para ser dito e para ser contado
Nada muito importante para os demais
O entendimento se divide em orbitas
Pois as estrelas não seduzem a todos
Porque para escravos não existe o céu

Mais um giro em torno do mesmo sol
Outro filho vagando pelos raios divinos
Egocêntrico como o pai sempre quis
Refletindo o prisma onde não há luz
Às vezes penso que tudo foi ontem

Aqui em baixo em um outro nível
Os bósons são lentos onde vivo
Um bilhão de giros não foi suficiente
Ninguém sabe que é mais que alguém
Ninguém se permite ir mais além

Vou voltar ao Ganges
Onde tudo começou
Feito de sonho
Cheio de luar
Deitado entre os espaços
Coração amordaçado
Lembranças que não lembro
Sentimento que só sinto
Na vastidão que me define


Recife,2 de Janeiro de 2012

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

354> EXPURGO


Dando voltas nas candeias do passado
Um Incansável buscando tuas sementes
Anjo ou demônio da própria existência
Ruas ainda não perigosas
Ruas ainda desertas

Esta noite os astros não estavam no lugar
Esta noite de súbito Peter Pan cresceu
Tudo Deus destruiu ou tornou-se cinza
Menos o teu vermelho aberto
Menos o teu destino incerto

Agora meus pés não tocam a terra
Trajando a ultima veste da revelação
Meus olhos não veem os expatriados
Nus em suas próprias vãs emoções
E caindo para cima assim se vão


Recife,29 de Dezembro de 2011

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

353> LUZ DA QUARTA ESQUINA


Remando o sutil vapor etéreo da manhã
De joelhos rezando para todos os santos
Uma gota de orvalho escorrega e despenca
Ao tocar o chão vibram os quatro cantos
Severo legionário a tudo observa
Sereno solitário a nada teme

Tudo passa, mas nem tudo por aqui
Descrentes secos de dentro para fora
Acreditam que acreditam
Mas a fé só chega ate a boca
Como cegos guiando cegos
Precipitam-se nos seus vazios

Vi uma vela em uma esquina
Onde todos se riam
Mas aquela era a única luz da rua
Mas aquela era a única rua nua
Pura e além de sua pureza
Só carne crua

No auge dos meus agudos delírios
Bandeiras ao sabor do vento
Cobertas com a poeira do nosso tempo
Relíquias preservadas
No úmido deserto do saber
Revolução que se enche de desígnios

Chega da forma que nada forma
Quem tem sete espadas sabe usa-las
Chamado que não pode ser ignorado
Como um raio as portas se abrem
Passos que não podem ser ouvidos
Pois o destino é um corte de lâmina fria

Recife,21 de Dezembro de 2011
Link imagem

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

352> A SERENA QUEDA DE GANGA


As estrelas de uma veste lunar
Purgando os lados grosseiros
Preparando a inevitável partida
Enchendo-se de doces mentiras
A tempestade chega pela manhã

De quem é aquela sombra constante?
Quem construiu um lar para você?
As paginas do livro da vida avançam
Os ramos da arvore do saber florescem
E assim o invisível se torna tão evidente

Uma chave oculta na pirâmide simbólica
Relicário desnudo em um sonho real
Laços não medidos no sangue das veias
Ganga desce nos cabelos do domador de feras
Pois o caminho para felicidade é a moderação


Recife,15 de Dezembro de 2011

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

351> TERRA IMATERIAL


Quando venho me alimentar da tarde
A luz tremula entre o sol e os galhos
Cortinando minhas memorias vividas
E me perdendo em mim fecho os olhos
Memorias
Aquelas memorias

Nunca soube as razoes da espera solitária
Sempre houve algo estranhamente obvio
O lado mais frio do barco da aurora
Muitos se perderam na nevoa das marés
Dias e noites a sós

As criações tomam forma em minha mente
Bastou os sinos tocarem ao longe
Os cavalos correrem os campos
E o suor de uma manhã de março tocar o solo
Da minha imaterial terra sem fim


Gravatá, 26 de Novembro de 2011

350> UMA CANÇÃO DE NINAR



Repousa no leito de minha vida
Atila não te viu e ainda temos leite
Já ergui as cercas da capitania
O falcão será meus olhos e garras
A noite teu cobertor e lua tua luz

Cresça vendo o ouro do milho
O vermelho do sangue dos teus
O branco dos montes no inverno
O colorido nas roupas no varal
Nos olhos azuis de tua bela mãe

Tudo passou e tudo passa
A criança nem é mais criança
Os cães não latem mais
Minha vida tua vida
Cinzas que o vento soprou


Gravatá,26 de Novembro de 2011

sábado, 26 de novembro de 2011

349> A MAIS BELA


Traga o vazio da taça para derramar
Lembra quando corríamos no ar
Represando as aguas do rio eterno
O sentido de tudo era tão simples
Dias sem estas pesadas muralhas

Quem me conta historias do vento
Quem sopra o pólen nos campos
Perdido na sua própria casa
Desejando o sal das marés
A noite cai toda noite

Desci do céu cheio de luz
Seu desejo me fez lagrimas
E agora te faço esse lótus
Dentre todas, a mais bela
Dentre as belas, a mais toda


Gravatá,26 de Novembro de 2011

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

348> OS CAVALOS DE COLIN


O sol poente no inverno era mais violáceo
As luzes da cidade bem mais desfocadas
O mundo arde em chamas em cada esquina
Desafios escritos na desconfiança da duvida
Maria helena do meu mais puro olhar
Conte-me sorrindo tudo sobre teu altar

Sob um límpido azul Colin cavalgava
Vitalizando o inicio de uma longa jornada
O mais rubro sangue nas veias
Seus cavalos tão felizes em servi-la
Memorias de fé naqueles longos dias
Tremem meu corpo e desfazem minha dor

O oceano serena e o céu se envaidece
Onde os forasteiros se encontram
Aonde ir se todos caminhos estão abertos
Na ribalta do grande palco da vida
Mas um dia todos se foram
As luzes variam, mas nunca se apagam
E um dia todos se encontram
Quando Deus libertar nossas almas


Recife,17 de Novembro de 2011
Dedicado aos inesqueciveis dias de 1988 em Aracaju-Se sobre tudo a
Andrea Carvalho Colin e Maria Helena assim como todas as "luzes"
daqueles saudosos dias...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

347> POVO DE LÁ


Nuvem que passa cheia de sonhos
Aurora que teima em recomeçar
Fios que nos ligam a nós mesmos
Dia e noite sem fim até o fim

Gigante no ar e gigante na terra
Sempre a girar a roda de prece
A roda da vida
Um mosteiro na mesma avenida

Se um dia fui, pouco me lembro
Que um dia irei tenho certeza
Vinho e velas no solitário mármore
Defina-se cão, fiel ou sanguinário ?

Abram o portão e deem passagem
Pois o lado daqui é escuro
Documentos não conheço no lado de lá
Onde todos se definem no olhar


Recife,16 de Novembro de 2011

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

346> OS SETE CÉUS DA TERRA


Margeando tudo que pensei ser
Os reflexos não tão cristalinos
Protegidos das bestas zunindo
A lã de Ariadne sutil e eficaz
Nos labirintos escuros da vida

Uma casa na colina da estrada
A única referencia luminosa
A pagina perdida do livro
Meus olhos e o vento frio
A neblina encantava meu ser

Contei os sete céus da terra
Todos sem discos voadores
Todos sem o pássaro azul
E na saudade desse abstrato
Viveu meu espirito inquieto

Sonhei e vi, pensei e escrevi
Assim essa infância se foi
Mas só no asfalto do tempo
Pois no reflexo furtivo do olhar
Os sonhos duram para sempre


Recife, 9 de Novembro de 2011

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

345> LUZES NO DIA DE FINADOS


Entre a luz dos postes cantando sozinho
Ouvindo trovoes da chuva que não vem
Mantendo sempre o movimento preciso
Deslizo nas veredas dos que nada tem

Já é tarde no dia dos que se foram
Minha cabeça dói em algum lugar
Eles sabem das minhas habilidades
Eles estão tão cheios de saudades

De longe só se viam velas acesas
Aos pés da santa
De perto todos procuram por alguém
Em qualquer parte

Acorde cedo, pois de longe vim
Não chore porque logo me vou
Tenho pressa de ver o que já sei
Pois nem tudo o tempo apaga.




Recife,2 de Novembro de 2011
Dedicado a todo coração que ja chorou a perda
de alguem e a todos os coraçoes que batem fora
do peito ...

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

344> ÓBULO


Sempre as vozes do passado soprando
Algumas folhas antecipam o outono
Não me importo
Perdi a noção do tempo
Fios ligam o antes e depois
Lagrimas lubrificam os dois mundos
Sob a regência de um único sol

Nas ruelas da escuridão dos que se foram
Perdidos nos labirintos e caminhos
Assim como também me perdi
Ate ver o milho verdejar no jardim
Protegido pelos quatro fieis cães
Mãe, deixe as crianças brincarem
O rio não mais oferece perigo
Pois as cobras não tem peçonha
Quando se tem moedas para Caronte


Recife,26 de Outubro de 2011

domingo, 16 de outubro de 2011

343> PERGAMINHO INSONDÁVEL


Refazendo agora os antigos caminhos
Entre os destroços de antigos sonhos
Caminhando com as sombras moveis
Presentes da luz imponente de um luar
Penso qual a chama acesa nessa distancia
Qual foco ilumina aquelas cruzes
Que som reverbera aquelas vozes

Assim que o cinzel mastigar a pedra
Verei o brilho evidente do mármore
Levantei feliz para receber a visita
No castelo em que outrora fui sufocado
O mesmo pânico na lenta subida
Como sonhei fugir em um cavalo alado

Sereno como o mar na maré vazia
Pronto para as novas tempestades
Deixo minhas obrigações à beira mar
Sigo a noite em seu veludo negro
Ate os que nunca me esqueceram
Ate as respostas que nunca terei
Castelos não plenamente materiais

Na terra das bruxas as batalhas
Sangue que não ofereci em vão
Confundo solidão com estar só
Mas aqueles olhos são inconfundíveis
Um pergaminho escrito em sensações
Oculto na vibração insondável da alma


Recife,16 de Outubro de 2011

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

342> CAVALEIRO DE SANTO ANDRE


Cada curva lentamente sinuosa
Lembranças esperam por mim
Serpenteando perto de Santo André
Cada momento flutuando em ondas
Revivo a criança em meu ser
Sempre nadando sem tocar o fundo

E todas as vindas serão sempre a primeira
Através das frestas do pântano vejo a luz
Saltando aos meus olhos aquele cavalo
Corações gentis e palavras fortes
E eu morreria em nome desta lei
Essas são minhas preces aos teus pés

Eu pensei que viveria no céu
Enquanto vivi na terra
Dois de espadas e dois de paus
Um recado no dia do enforcado
Mentiras seladas por beijos
sempre estranhas para mim


Recife,12 de outubro de 2011

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

341> PASHUPATI


Da madeira ao couro
As correntes de ouro
Azul acima da morte
Ao sabor do invisível

Face ao chão o mundo vibra
O céu trás o rastro de fogo
Realidade rasgada pela carruagem
Aguas sagradas agora pacíficas
Em verdade ate a próxima dança
Pois lobos sempre comem carne
E do gado manso tudo se aproveita
Se ora caço ou ora pasto
É porque sou tão lobo quanto gado


Recife,3 de Outubro de 2011

domingo, 2 de outubro de 2011

340>AO SENHOR DOS CAMINHOS


O que verei quando eu me for só eu sei
O que construí em meu atual passado
Minhas mais intangíveis memorias
Sopradas em vórtices de emoções
Sob o mesmo sol nascente
Sob o mesmo sol poente

Minhas crenças e minhas verdades
Fluidificando os secretos desejos
Percorrendo o leito profundo da alma

Minha fé, minha única fé
Cristalizando as imutáveis leis
Dos que ainda vem e vão

Infinitos horizontes empilhando possibilidades
Outros eus acontecendo ao mesmo tempo
A chave mestra das portas que desconheço
Onde esta o senhor de tantos caminhos
Onde esta o maestro que rege tantos sons
No fim o portão de ferro e os cães vermelhos
Um fim que nunca acaba

Lembro-me da caverna nas dunas astrais
Do planeta das sombras rosáceas
E da solitária e majestosa rosa
Uma luz, um banco, um vilarejo frio
Uma escuridão, a queda, a grande prova
E mil vivas a fonte de onde tudo emerge
Pois nesta vida tive muitas vidas
Como outrora muitas vidas me tiveram

Recife,2 de Outubro de 2011

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

339> DEUSES DE MU


Cores distintas porem inseparáveis
Balançavam na chama de uma vela
Pois além tudo era escuridão
Mas ali outros sentidos imperam
Cárcere dos mais sombrios pensamentos

Liberto nas asas da noite em um sonho
Repleto da vastidão de mim mesmo
De joelhos, consciente e resignado.
Não importa se de dentro ou de fora
O brado fez-se ouvir, ou sentir?
Te dei formas que não definem teu ser
Ouvi teus sentimentos sufocados
Doce é a roupa que te veste
Amarga é a nudez que te vejo

Teus irmãos convulsionam na tua terra
Tua terra afunda nos meus mares
E as espumas unem o ar e a agua
E a lava une o fogo e terra
E tudo que uni eu separei
Só para ensina-los a nadar


Recife,29 de Setembro de 2011

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

338> O RETORNO


O sol não revela a idade dos teus cabelos
O vento faz a poeira dançar tua musica
Os laços coloridos do povo do oriente
Cavalgadas nas fronteiras da fria noite
De onde venho
Para onde vou
Só desertos vazios
Cálidas impressões e fugazes visões

No fim o sol tomba cheio de vontade
Trazendo a lua tão cheia de saudade
Tendas translúcidas como sua veste
E na solidão minha alma se apresenta
E na brisa noturna me vejo diluído
Frações de pensamentos me definem
Onde o tempo não faz mais sentido

Eu sou todos os meus Eus
Assim no futuro pulsarei em mim
Esperando o que todos esperam
Cansados da mascara individualizadora
Navegar o mar em diferentes povos
“Voltem para mim,
Esse é meu desejo”


Recife,15 de Setembro de 2011
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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

337> A CESAR O QUE É DE CESAR


Eis que sem ver vossos olhos
Fui iludido
Eis que posso ouvir gargalhadas
Ainda que veladas

Verifiquei as diversas moradas
Sempre protegido pelo signo
Sem temer a segunda morte
Nos vales dos olhos âmbar

Armas de projeteis agora inúteis
Caminhando na rua dos perdidos
Sem nada para dar ou receber
Só um longo olhar de força

O sol brilhando lembra o eterno
Os seus com lustrosas fardas
E nesta fé a liberdade
E na esperança a vitória

Ao alto o que é do alto
Abaixo o que é de baixo
Essa é a única tratativa
Tudo mais é consequência


Recife,7 de Setembro de 2011

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

336> DE VOLTA AS ESTRELAS


Vapores de mares tão distantes
Sobre as brumosas passarelas
Alinhamento de todos os astros
Luz em um estado inimaginável
Concentrado e condensado ele veio

Alguém disse que os deuses eram astronautas
O que dizer dos que te guardam a toda hora?
Assim quero voltar para minha estrela
Longe do limitados olhos carnais
Perto das lembranças infantis

Sou aquele que sente a partida na chegada
Quando o vento enferruja a carruagem
Quando a lei paralisa todos os excessos
Pois em vida tudo parece um sonho irreal
E na morte todo o sonho se torna real

Como será o pensamento de uma galáxia?
Gozemos o delicioso prazer da individualidade
Enquanto nosso conceito de amor for polar
Pois nas encruzilhadas do infinito não há retorno
Onde todos os universos possíveis se encontram


Recife, 25 de Agosto de 2011

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

335> A GRANDE MESA INICIÁTICA



A pomba alva sorvida das praias astrais
Maadakiten recolhido em um descuido
Suas asas negras inúteis naquele castelo
Toda não observância tem seu preço
Uma mielopatia proliferativa do seu clã
Na verdade bem especifica...

O pai Buriê e as minhas espadas

Dustain, Pedro e Pyros.
A escolha greco-romana do cordeiro
Um outro escolheu o primeiro
Um outro escolheu o terceiro
Trilharam a esquerda
Pensando ser a direita

Agora a luta contra os robôs e dispositivos
Tempestades de areia assolam tudo abaixo
Plasmem nosso transporte ate a vila
De quarto em quarto no andar superior
Um cubículo e uma vela
Mas tudo é relativo

Voava sem as asas entre as ilhotas
Distante da embarcação nas minhas costas
A voz muda disse “a gralha negra”
Tentei e tentei toca-la
Esfumaçou-se em um negro lençol
Histórias da grande mesa iniciatica


Recife,24 de Agosto de 2011

domingo, 14 de agosto de 2011

334> PURGATORIO


Soube que meu filho me observava
Da terra dos que não vieram ainda
Ardendo de vontade de existir
Vivendo na dimensão das intenções

A paciência se valorizando ainda mais
No perigoso limite impreciso da inércia
Assombrada pelo fantasma da solidão
Coexistindo com seus reflexos incompletos

Me abrace novamente antes de partir
Outra noite dessas as estrelas apagaram
Deixando o príncipe ainda mais distante
E tudo que estava acima se entristeceu
Ate o sol tão cheio de Shiva escureceu

Amarrado na arvore que me fez crescer
Deixado para sentir as dores de Prometeu
Cicatrizando a seiva viscosa da ambição
E nos mesmos passos antigos
O mesmo vazio de nós todos

Recife,14 de Agosto de 2011
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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

333> SOMBRAS DE AGOSTO


Bastou alguma breve reflexão
Amargura que segue as estações
E tudo vai envelhecendo
E nós vamos envelhecendo

Agosto chega cheio de sombras
Caio e não chego ao chão
Assustei-me quando vi o que criei
Pensamentos e idéias fixas
Um carrossel de formulas falidas

Segunda-feira é dia das almas
Velas para os que se foram
Um dia nos iremos também
Rever aquelas faces da noite
Onde esta você agora?
De-me sua mão,
Vamos

Com uma pedra derrubei o castelo
Para fazer feliz teu inverno
Para congelar teu verão
Meu espírito não dorme mais
Vendo meu corpo adormecido
Como um anjo caído eu digo:
O filho preferido aqui e agora
Pois o ontem foi cheio de desejos
E o passado mora La fora

Recife,11 de Agosto de 2011
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