ECOS

ECOS
Chittorgarh-India

sexta-feira, 3 de junho de 2011

321> HÁLITO DAS ROSAS


Um jeito simples para falar
Um meio sorriso completo
Toda a noite eu sonhava
Todos os dias eu criava

A criação cresceu do se jeito
Uma obra para o universo
Pegadas leves na relva
Campos floridos no inverno
Todos os seres da selva

Hipnotizado por sua sombra
O movimento mais harmônico
Ocaso de toda maldade
Folhas e frutos
Verdes e maduros

Aspirando o hálito das rosas
Me levas ate onde tudo é azul
A voz que nunca ouvi
Dizia-me o que não se diz
As cores do amor
Todas as cores invisíveis

Passos que não tocam o chão
Mãos tão diáfanas
Corpo translúcido
Irradiando meus sonhos
Meus dias, minha vida


Recife,3 de Junho de 2011
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quinta-feira, 2 de junho de 2011

320> UM MILHÃO DE ANOS


De onde não se ouvia os gritos
No solo alem da próxima porta
Viam-se as mentiras serem feitas
Esquecendo daqueles dias
Algo que não pude fazer
Algo que não pude acreditar

As mensagens vinham e vinham
Laços que não podem ser quebrados
Eu juro viver todos esses dias
Que venham as manhãs frias
Adeus as trevas que encarei
O brilho que nunca se apaga
A realidade mais translúcida

Mutações do caráter ancestral
Manipulações genéticas siderais
Estejam preparados para o corte
Vos peregrinos astrais
Em busca da própria identidade

Muito se passou desde o principio
Ate as estrelas moveram-se no céu
Muitos de vos ainda sentem saudades
Implícita na memória celular
O tom ainda é precisamente o mesmo
Uma nova estação varrerá a terra

Hei de um dia ver os verdadeiros
Movendo-se com os seres do ar
Hei de saber do fim de tantos devaneios
Subvertendo os filhos do disco solar
Ninguém mais rirá alem dos nossos olhos
Não mais será distorcida nossa historia

Perdão pela imobilidade
Perdão pela imatura escolha
Fui tão jovem
Só tinha um milhão de anos


Recife,2 de Junho de 2011

quarta-feira, 25 de maio de 2011

319> A VISITA


Quando sinto um abraço eólico
Suave no corpo
Profundo no espírito
O frio percorre meus poros
Vejo teus singulares sinais
Soprando o medo para longe
Por breves segundos
O tempo passa lento
Uma eternidade

Do alto das catedrais via-se a trilha
A deliciosa ansiedade da chegada
Novamente o brilho na aura
Tudo vibra e dança pela vinda
Que se evaporem as falanges de gárgulas
Com suas redes de energia e pesadelos
Todo o passado já foi pago

Quem vem cavalgando os espaços
Quem chegará movendo as cruzes
Visões vindas da infância
Decisões vindas de bem antes
Clareando a sombra do esquecimento

Nunca realmente vi ou ouvi
Tudo foi sempre sentido
Sempre foi tudo inesquecível
Era assim que tinha de ser


Recife,25 de Maio de 2011

terça-feira, 24 de maio de 2011

318> ANFITEATRO DAS VIDAS SECAS


Promessas são sempre escolhas
Antes do sol se por estarás só
Disse o vento para a folha velha
Planando nesses campos mágicos
Acima do solo que te sustentou
Neste breve momento
Vê-se tua sombra
Tua alma
E todos os luminosos verões
E no ocaso do teu sorriso
Serei a ultima testemunha
Do que és e do que foste
Pois sou irmão do tempo

Despertei em meio à ventania
Com a firmeza necessária a vida
Neguei o que tinha que ser negado
Aceitei o que tinha de ser aceito
Não sou o que fui e não serei o que sou
Pois tantos outros se perderam
Condenados no mais implacável tribunal
A consciência era o único jurado
O remorso a incontestável prova

Caminho para fora do anfiteatro
Disseram que saber é diferente de ver
Mas ainda percebo a primeira execução
Em atos e cenas deslocadas
Um palco vazio e silencioso
Sem o grande mestre da chuva
Delicado como as singelas flores
De uma primavera que não verei
Algum brilho dos vitrais
Cruza a bifurcação do caminho
Olho a guilhotina fixamente
Antes de partir para o norte
A memória que não sai do meu mundo
A ultima visão daquele ser
Um cantor solitário
Um poeta sem amigos
Assim como fui um dia


Recife,24 de Maio de 2011
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Também postado na Fabrica de letras

quinta-feira, 19 de maio de 2011

317>ANASTACIA E O PECADO DOS PAIS


Sentia em algumas noites
Às vezes no olhar de um estranho
Lembro da chama das velas
Pequenos postes luminosos nas estradas

O esporádico se tornou freqüente
O que nunca se foi novamente retorna
A tela celeste sintoniza
Uma madrugada de pressões oscilantes
O fogo se faz presente
Nas mesmas palavras
Nas mesmas palavras

Vejo os passos do inevitável
Conselhos sempre presentes
Refletem a ausência de retidão
As belezas do mundo
A morte deste mesmo mundo
Brincando nas esquinas azuis
Coisa para se lembrar
Promessas
Pássaros voando ao longe
Anastácia esperava na chuva
Criaturas da noite sem nada a dizer
Sem esperança

Eu vim na terra por você
Minha criança
Abençoar suas lagrimas
Amparar tua involuntária queda

Vejo tantas outras perdidas
Mistificadas pelo poder da juventude
A carne ainda fresca
Comprando sonhos alheios
Vendendo alimento aos instintos
O terrível preço do abandono
No covil de lobos famintos

Estarei à espera daqueles a quem te confiei
Estáticos no canto dos cantos
A única luz refletida no umbral
Um punhal cravado no inferno
Afinal lei é lei
E vida é vida


Recife, 18 de Maio de 2011
Também postado na Fabrica de Letras

quarta-feira, 18 de maio de 2011

316> A NOITE VESTIDA DE SONHOS


Verde, úmido e desfocado
Passado ou outro lugar
Vozes femininas
Risos

Um registro de impressões
Os ares da infância lúcida
Harpa e amigos invisíveis
Ruas secundarias em vilarejos
Orvalho, nevoa e neblina
Harmonia e alegria
Saudade

Capturas acionadas pelo som
Vibrações, sempre vibrações
O luar vestido de pura seda
Derramada na noite dos sentidos
Estampada de estrelas
Tudo se enche de mágica

Passagens ocultas na areia
Passos se aproximam
Uma nascente de água cristalina
Protege um ninho de luz
Raios atravessam minhas mãos
Um doce assovio sereniza o ar
Alimenta meus sonhos
Em todos atos da minha existência

Recife,17 de Maio de 2011

sexta-feira, 13 de maio de 2011

315> ANO 22011


Um horizonte de linhas imprecisas
Na medida exata de uma falha visão
Um anoitecer silencioso e solitário
Sob um segredo não revelado
Escorpião surge nas alturas
Antares e suas discípulas

Como se pode quantificar o transitório?
Como não se pode amar o aleatório?
Assim se escreve o que não se diz
E se sente o que não se escreve
Um automatismo quase fisiológico

Queria ver o mundo após vinte milênios
Os passos que a evolução seguiu
Todo o silencio da maturidade terrestre
O que sobrou e o que partiu
Das falhas humanas o que restou
E quem no fim ainda sorriu

Um sino anuncia a caravana
Profundo respeito se irradia
Ide e espalhai a semente
Que a terra presenteie com a vida
Como um dia também foi presenteada

Quantas idas e vindas contabilizamos
Nos livros os registros dos tempos bárbaros
Nascer e morrer incontáveis vezes
Ler e reler os registros eternos
Algumas coisas permanecem as mesmas
Os vedas continuam na mesa

Metano agora reage com os ultravioletas
Cúpulas gigantes se erguem no horizonte
Não ousei ver como são nossos descendentes
Não acreditei em tudo que me veio à mente
Holocausto de um presente que virou passado
Renascer da força vital que nos condensa
Em que corpo e em que forma
Um mero detalhe da artista natureza

Recife,15 de Maio de 2011

domingo, 8 de maio de 2011

314> LAGRIMAS NA CHUVA


No fim de uma bela e triste passagem
Palavras confusas e lábios que silenciam
A luz era fraca
As asas empoeiradas
O ultimo toque e a partida
Na morte de tudo eu acreditei

Toda mulher é uma flor
Todo toque é uma caricia
Esquecem que podem voar

A seda dos lençóis e a pele se misturam
A madrugada segue seus passos
Inesquecíveis marcas sensórias
Passos que flutuam na nevoa
Um terno sorriso que desafia o tempo
Onde posso confiar esse segredo?

A leveza transcende a matéria
Um livro vívido e nunca acabado
Sem fim
A terra se faz incompleta
A saudade se torna bela
E assim se perpetua teu mistério
Nos detalhes e pequenas coisas

Olhando a chuva na janela
Via sua face
Todas as faces
Gotas choravam no vidro
Lembranças marcantes e indefinidas
Um perfume invade o aposento
Cerro meus olhos
Um carrossel girava e ela me via
A face disfarçava alegria
Alguns segundos retorno do êxtase
O tempo não importa
Sempre é tão eterno
Sempre esperarei a brisa soprar jasmim
Nos meus pensamentos e sonhos
Abrindo o portão para ela levar-me
Para longe de tudo que é imperfeito

Recife,8 de Maio de 2011
Dedicado a mulher dentro de todas as mulheres...
Sobre tudo as que ja partiram ou para o "auto-esquecimento" ou para "outra vida".
A vida sempre floresce...

sábado, 7 de maio de 2011

313> A FONTE


Umas vezes ameno outras não
Assim é o som do céu
Assim é o brilho das estrelas
Brilhantes símbolos e brasões
Protetorado dos sonhos

Das antigas paisagens terrenas
Só pedras restaram
Historias e fabulas soterradas
Sob os pés dos herdeiros
Sob o mar tão perfeito

Botões de rosas nos nossos olhos
Correnteza indomada em nossas veias
Caldeirão de desejos e porções de esperança
Alimentam a alma no deserto da vida
O fogo intocável de uma promessa

Olhar nos olhos dizia Lao-Tsé
Penetrar o impenetrável
Permear o impermeável
Ver arder a chama transformadora
Onde toda criação se consuma


Recife,7 de Maio de 2011

312> ANJOS DE PEDRA


Como poderei ignorar aquelas manhãs
Dias tão frios, intangíveis e distantes
Escarpadas montanhas de tristeza criadas
Onde os rios felizes não correm mais
Ao encontro da linha norte do oceano
Estagnam nas não confiáveis águas deste lago

Um anjo dissera-me para dar-te um colar
Sempre manter em guardá-la com zelo
E segui em silencio seus passos
Ate o exílio que enviaste teu coração
Proibiste-te do contato com o mundo
Afastada do verdadeiro amor, te vejo cair
Justamente onde me levantei por ti

Estranho como somos intensos
Eu fazia a melhor parte de você vibrar
Cheia de esperanças em um dia de outono
Por breve tempo a senhora da felicidade
Ate voltar a purgar teu imenso pecado
E a face pesar como anjos de pedra
Dias e noites chorando no vento


Recife, concluido dia 7 de Maio de 2011
Mas bem mais antigo...

sábado, 30 de abril de 2011

311> UMA HISTORIA EM DEZ ESPADAS


I A MORTE
No regresso das almas que nos são caras
Pedaços dos nossos espelhos íntimos
Cada vez mais estilhaçado pela ausência
Rachando nossa realidade de segurança
Enfim uma triste visão da morte humana

II RESIGNAÇAO
Acima da egoísta dor da perda
Considerações do destino comum
Onde todos os caminhos se cruzam
Onde todos um dia se encontram
Mais dia menos dia a porta se fecha

III A FÉ
Falam de fé e de amor, mas fraquejam
Confiam em Deus desconfiando de si
Em verdade não confiam em ninguém
Cegamente acreditam nas próprias mentiras
Aceitam-se mediante a aceitação alheia

IV O DESTINO
Existe algo acima de tudo e de todos
Metódico e infalível na linha das horas
Voando sobre as nuvens de nossas mentes
Abatendo precisamente os pretensiosos
Um a um jogados da janela do palácio

V A PROFECIA
Todas as retas se cruzam em um ponto
Mas não existe reta e o ponto flutua
Virão de todos os tempos e lugares
Arcos dividirão os reais filhos da terra
Banindo outra vez os filhos das estrelas

VI ECLIPSE
Os girassóis à noite abaixam as cabeças
Saudosos choram o orvalho da noite
Observam o pólo sul celeste e tudo ao redor
Alguns graus depois e ângulos mais tarde
Algo no horizonte incerto estremece a alma

VII MILAGRE
Raios pioneiros cortam a escuridão em fatias
Vibra o ar e ativa tudo que é vivo ou morto
Amanhecendo tudo que estava latente
O movimento acelera em direção incerta
Mas certamente conhecida

VIII REDENÇÃO
Todos correram para o pátio central
Uma nova era novamente se anuncia
Vinde todos os filhos do precipício
Ver, ouvir e saber todo o sentido
Liberdade agora corre nas veias

IX JUSTIÇA
Marcados pelos invisíveis sensores
Enforcados na terra e degolados no alto
O sangue que vingará a terra dos justos
Devolvo-te ao inferno onde habitas
Pela lei natural junte-se aos teus

X VIDA
Ainda essa noite o alto derramará sua graça
Eis que surge mais um dia em nossas almas
A madrugada anuncia uma nova existência
Mais uma vez veremos o sol diversas vezes
Outro passo rumo ao tão esperado reencontro


Recife, conclusa em 30 de Abril de 2011
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sexta-feira, 29 de abril de 2011

310> O PECADO ORIGINAL


Peso de ouro nas tuas decisões
Cachos de uvas de luz douradas
Sabedoria só floresce cultivada
Sob a bênção do tempo que passa

Fases distantes da lua do oriente
Cavalgando um raio de argenta
Surge o cavaleiro da capa púrpura
No pavilhão estrelado da noite

Após a conversão tudo se suporta
Teoremas superiores a Euclides
Geometria mede a visão da mente
Tentando retificar o universo curvo

Só sei que a ventania se aproxima
E com ela todo caos da mudança
O único abrigo é dentro de si
Os que se curvaram permanecerão

A natureza é naturalmente natural
Desprovida desta passionalidade
Movendo-se para onde tem que se mover
Quem a desconhece é arrasado no caminho

A escolha é sua assim como sempre foi
Mas a mão sempre servirá ao corpo
Pois nós sempre serviremos ao todo
E os relutantes serão servidos pela dor


Recife, 29 de Abril de 2011
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segunda-feira, 25 de abril de 2011

309> MISERICORDIA


No profundo vale do poço dos desejos
Ladeira acima margeando o cemitério
Luzes vermelhas, espanto e medo
Três almas com corações ainda pulsantes
A entrada era pequena
A permissão era seleta
Face azul-acinzentada, traje negro
Pena na mão e tantas verdades

Era eu caminhando sozinho
Era eu e o criador
Sentimentos delineados
Esboços sentimentais
Tantas prisões
Tantas privações

Duas velas acesas na escrivaninha
A rua de todos os destinos
O diabo aparece no tarot
Escolas ensinam a multiplicar
A vida ensina a somar
E eles me ensinaram a sonhar

Quem escreveu o livro sem palavras?
O silencio permeia o recinto
Com seu inconfundível som
Estrelas cantam para um único ser
Loucos saltam as ondas do mar
Bolhas solidas partidas
Pinturas derretidas
Ninguém recitou os nomes proibidos

Os mais improváveis amigos
Palavras incompreensíveis
Senhores dos choques humanos
Desgastado juro misericórdia
Misericórdia

Recife, 25 de Abril de 2011 (sobre 23 de abril)
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quinta-feira, 21 de abril de 2011

308> LADO DE FORA



Às vezes eu vou às vezes me levam
Correndo, aprendendo ou brigando
Muitas vozes tão distantes de você
A cada cama chamam meu nome

Noite passada um pesadelo
Gritando tentei entender
Mas no fundo eu sabia
Uma senhora se arrastava
E todos riam
Todos riam

Violinos desafinavam a coerência
Viventes desafiavam a camarilha
Agora o sangue mancha a roupa
Antes o ódio manchava o corpo

Zunindo metálico do beija-flor
Eu também quero voar
Equilibrado na plataforma oceânica
O incinerador de aracnídeos
Acorde logo desta loucura
O jazz durará a madrugada toda


Recife,21 de Abril de 2011

domingo, 17 de abril de 2011

307> AS ULTIMAS HORAS


Quarto frio tarde chuvosa de Abril
Os espaços confinados da mente
Na desenvoltura da escura fronteira
Ela surgiu vivida em sua nova vida
Alva como sonhos de Cruz e Souza

Um ultimo olhar ainda consciente
Décadas se fizeram frações de segundo
Deixarei-te ir sem saber meu nome
Eis os fantasmas que me perseguem
Pedindo urgente clemência e liberdade

Ate os antigos conselheiros sorriram
E o brilho transbordava o recinto
Nem sempre se dava assim
Momentos que só existem na memória
Mas existem para todo sempre

Se eu pudesse abençoar vidas
Como um dia foi feito
O faria na derradeira dor
Em um ritual sem palavras
Como vocês podem ver

Se eu pudesse devolver algumas horas
Como em um sonho atemporal
Segundos voltando a serem décadas
O primeiro sorriso
O primeiro amor
O primeiro filho
A primeira lagrima
A primeira dança
Novamente te encontrariam antes
Do ultimo suspiro
Das ultimas horas


Recife, 17 de Abril de 2011

segunda-feira, 11 de abril de 2011

306> PRODIGIO


Salvas de trovoes saúdam o sol
Relampejos de uma nova manhã
Sentida no reflexo da pele
Preparei-me para o corte da duvida
Aquilo não podia ser verdade
Foi assim quando o véu caiu

O vento vem me contar historias
Leva e trás almas em minha vida
Escuto o fogo das explosões
Um prodígio na própria alma
Encontrei a única resposta
Não há respostas

Face a face com os espelhos
A tão sonhada redenção
A mais sublime lição

O Maximo agora tende ao mínimo
Atenção no alto
E resignação embaixo


Recife, 11 de Abril de 2011

quarta-feira, 6 de abril de 2011

305> REFLEXOS DO VAZIO



Enfim deixe tudo passar
A natureza seguir seu ciclo
Tudo girando e se movendo
Desligue as luzes artificiais
Pois a noite foi feita escura

Nas portas do amanhecer
O som dos pássaros
O som do silencio
Ate o meio-dia não serão ouvidos
Mas ainda estão La

O solido é tão cheio de vazios
A visão é tão cheia de reflexos
Tantas vezes a ação é infrutífera
Entre tantos caminhos escolho nenhum caminho
Entre nenhum caminho escolho o não-caminho

O moinho enche suas pás subindo
E esvazia descendo
Assim é o coração
Tudo surge só para desaparecer
Assim é a razão
Tão inaplicável...


Recife, ultimos minutos de 6 de Abril

quinta-feira, 31 de março de 2011

304> FEDAYKINS


Aqui estou e aqui estas
Eu não sou eu e você não é você

Sentem-se enquanto o mundo convulsiona
Sob a lua imparcial que nos cobre de orvalho
Materializaremos o desejo de nossos corações
Todos sentem uma saudade que rasga a alma
Ecos das derrotas e glorias de nossos graus
Aquele busto sem face e vestimentas reais
A coroa definida no alfabeto divino

Assim seguimos nas noites do tempo
Unidos sob um brasão e uma missão
Às vezes separados em dimensões
Queimando todo o fluxo contrario
Causando a ira dos cáusticos dragões
As sombras de um passado morto
Escondidos da hora que se aproxima

Fogo de Kali, espada da lei e estrela do mar
Assim estaremos em todos os lugares
Sempre através do mesmo lugar
Temos pressa, pois muito seremos cobrados
O medo não faz parte dos nossos planos
Passos articulados a muitas gerações
Hinos que esperam para serem cantados

Aqui estamos porque tudo é transitório
E eu não sou eu porque o eu não existe


Recife, Ultima hora de Março
O circulo se fechará novamente...

quarta-feira, 30 de março de 2011

303> KALPA


Nada é eterno dentro do eterno
Onde opostos nunca existiram
O espaço é apenas uma definição
Toda realidade palpável é irreal
Fora do julgo de nossa perspectiva

Do alto da montanha mais alta
Subindo a arvore mais alta
Revoluções incessantes abaixo
Informações condensadas
Comprimidas ate se auto-expressarem
Um vórtice, uma singularidade
Aqui chamada vida

A energia sempre se conserva
Vibrando musicas diferentes
O universo prepara a contração
O jogo é novamente desfeito
Um mar de plasma nuclear
Onde todas as forças se encontram
Onde todas as portas se abrem

Novas idéias não lineares, mas concêntricas
Novas percepções e então novas leis
A alma é a lanterna que ilumina a criação
Tornado visível, mensurável e aparentemente real
Nossa existência inequivocamente atemporal

Recife, 30 de Março de 2011

segunda-feira, 28 de março de 2011

302> REFLEXOS DE UMA NOITE ESTRELADA


Em dado momento tudo se expandiu
Um vento de partículas ainda puras
Rodopiou poeira em galáxias
E ainda sopra hoje
Na historia de todos nós
Na historia de tudo

Lagrimas tímidas marcam meu rosto
Seguindo a grande lei da gravidade
Saltam ate tocar nosso orbe
Evaporam deixando o sal na terra
Tantos ciclos nos envolvem
Às vezes imperceptíveis
Às vezes ignorados

Tantos se deixam passar pela vida
Como estrelas órfãs vagando
Astros frios errantes em si mesmos
Sinto um enorme pesar que me liberta
Pois todos nos encontraremos
Um dia nos confins do universo

Desejar o bem é diferente de fazê-lo
Desejos nada mais são que desejos
Desejos sempre geram dor
Sempre
Verbo é ação
Ação é movimento
E movimento é vida


Recife, ultimos minutos de 27 de Março de 2011

sexta-feira, 25 de março de 2011

301> DEGREDADOS FILHOS DE EVA



Maré que sobe sobre nossas construções
Ninguém em terra firme
Perdido do olhar atento do artista
Dilúvios previstos pelos antepassados
O mais obscuro e divino quadro

Assim estava escrito em Koricancha
Tive medo dos olhos de Pizarro
Vasculhei as gavetas mais profundas
Procurando afastar as trevas
Em busca de uma candura perdida

Sonhei com o principio de nossa jornada
Trombetas no céu escarlate
Toda a fúria da misteriosa criação
Sob os semblantes severos das legiões
O solo ruindo como nossa realidade
Conspirações de distantes constelações
Gargalhadas sentidas nas entranhas

Herdeiros dos tronos celestes
Agora vagam entre a terra e o abismo
Alegram-se em respirar
Entristecem todo ciclo evolutivo
O vazio absoluto para ser preenchido
Lembra-se dos Gregos e de Pandora?
Afogados acorrentados ao ego

Precisamos
Do sol
Da distancia perfeita do sol
De energia densa em forma fluídica
De um referencial chamado tempo
E tudo nos foi dado

Antes marcharemos uns contra os outros
Daremos forma ao que nunca teve forma
Desesperados nomearemos o inominado
E mataremos por esses nomes
Cobriremos a luz com um véu escuro
Chamaremos a atenção do céu
Ate que mediante a aparente entropia
Não tenhamos mais escolha
Avançar, prosseguir é o que nos resta
No passado bilhões de estatuas de sal
No presente o inicio
No futuro um novo inicio
Para os degredados filhos de Eva



Recife,25 de Março de 2011
Sobre nós mesmos e nossa épica historia..

domingo, 20 de março de 2011

300> HISTORIAS DA LUA CHEIA


Imóvel no firmamento irradiando sonhos
O tempo reduz o fluxo para admirar
Tudo se enche de uma inaudível musica
Teus signos e arcanos magnetizando a água
A obvia interpretação da polaridade do sol

Hipnotiza os filhos do naipe de copas
Uma túnica luminosa escorre do céu
Saudoso como um acordeom na noite
Serena como a vila dos meus sonhos
Luz de óleo quente nos postes da estrada

Contempla os amantes com tuas historias
Nas indecifráveis marcas de tua pele
Um portão para outra iluminada época
Ajoelhada e impotente minha alma é atraída
No teu reflexo fagulhas de vidas já vividas


Recife, 20 de Março de 2011
Ouvir Moonlight wrapped around us - Andreas Vollenweider

299> SRI RAMA-TYS



Montanhas moveis suspensas na coluna d’água
Assim vejo a surpeficie do mar que toca as praias
Com um triangulo prata invertido na lua cheia
Porque nada é o que parece ser
Mas tudo é alguma coisa
Todas as coisas

O sentimento de inferioridade diante do universo
É o fiel da balança do ego em nossa humanidade
Palavra ainda sem contorno
Mas deriva do humano
As definições que esbarram muro após muro
Porque nada se define

A visão do caos só pode partir da mente caótica
Neste caso a lógica é simples
Identificamos-nos com o que somos
Mas nada de fato construímos
Só modificamos
Na razão de sermos modificados

Se as estrelas te chamam então brilhe
Se é ar que respiras então viva
Se são asas que aspiras então voe
No momento certo então também morra
Ou pretendes ser somente o que é?
Tudo não é incerto porque isto é uma certeza


Recife, 20 de Março de 2011
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segunda-feira, 14 de março de 2011

298> O DOCE SAL DA TERRA


Falavam uma língua que eu podia entender
Mas palavras são sempre palavras
Às vezes ouvia vozes nos átrios
Às vezes blasfêmias incontáveis
Mas preferi ouvir minha mente

Meus castelos de luz e meus anjos de guarda
A noite clara e o vento soprando ameno
Maio se aproxima novamente
E podemos fazer tudo mais gracioso
Voando livre em sonhos misteriosos

Aprendi a ver bem as suas idades
E a cidade perdida em seus jovens
Não precisamos desistir
Passos ora rápidos e ora lentos
Mas o destino cria suas curvas
Crenças que nascem para logo morrerem
Descrenças prontas para serem colhidas

Girando no carrossel a visão distorce
Adrenalina vitimava nossas veias
Serotonina em todas as gargalhadas
E eu tinha dez mil anos alem
As sementes que eclodiam rapidamente
Sem acreditar em si mesmas
Olhando o céu que nunca tocarão
Esquecidas do doce sal da terra

A caixa de pandora estava vazia
O santo grau não existia
Senti o peso dos milênios
Contando historias de amor
Mas sem acreditar em todo seu esplendor
Fui uma marionete com olhos plásticos
Refletindo o brilho amargo de ser um ser


Contos de um passado morto
Sem tempo para as ruas solitárias
Rindo das próprias escolhas
Não precisamos mais de nada palpável
Sentimentos de libertação mostraram as luzes
É só seguir o caminho sem tijolos amarelos
Para ter poder sobre a sucessão dos dias
Eles sabiam e agora eu sei...


Recife, 14 de Março de 2011

domingo, 13 de março de 2011

297> VELOZES FRAÇÕES DO INFINITO


Um vulto entre as sombras dos postes
A derradeira lembrança de Baruch
Agora a plenitude preenche meu ser
Abandonei a noção humana de abandono
O luto mais obscuro deixado pela saudade
Nascer e morrer são apenas eventos
A vida transcorre no meio

A orquestra prepara-se para o tema final
Um clarão e minhas mãos se enchem de luz
Tudo que não fiz escorre como liquido
Entre os espaços dos meus dedos
Ate tocarem o chão o tempo é infinito
Mas para nós fora tão breve
E é assim que tudo transcorre
Velozes frações compõem o infinito

Perdidos em ondas e sons sublimes
Cavalgando ao lado da caravana
Nenhum de nós era realmente daqui
Portas que se abrem sob escombros
Portas que se fecham sob a razão

Atentos aos raios solares no vale
Resta esperar por um novo amanhecer
Todos os milagres da alma
Inspirações profundas são botões de rosa
Um aroma tão precoce
Escute o vento nas arvores
Assim ele fala com nós
Sempre


Recife, Primeira hora do dia 13 de Março, 2011

sábado, 12 de março de 2011

296> DECIDA A UM PLANO NEGATIVO


A ligação era agora claramente perceptível
Sansara dos desejos humanos
Desejos da alma
O universo existe como forma de expressão
O tempo nada mais é que um registro

Crianças desvirtuadas nas esquinas das ruas
Encruzilhadas da vida
Tantos planos e tantos sonhos
Negativados e nada arrependidos
O tão cobiçado ar destas densidades
Já lhes bastavam

Face desvitalizada e veias cianóticas
Olhos de âmbar que não sabem mais sorrir
Cabelos esvoaçados como seus pecados
Envenenadas, escravizadas por suas falhas
Que venha meu destino

Advertido fui em sua nobre morada
As três belas da noite acompanharam-me
Foi onde pude ver alguma compaixão
A gravíssima voz do senhor daquela faixa
Seu apuradíssimo senso de justiça
A raiva inoculada dos cães ruivos
Em suas sinas esmaguei seus crânios

Outra vez banido
Alem daqueles portões só aquelas mulheres
Sem olhos e só ódio
Porem pai Joaquim nunca abandona um filho
E assim continua brilhando no céu

Foi-se o tempo das fraquezas
Chegada é a horas das certezas
Milhões de vozes no mesmo tom
Um brinde a nova fortaleza erguida na alma
Uma rara flor nasceu no lodo
Pronta para ver o sol brilhar...


Recife,12 de Março de 2011
Se todos podessem ver o mundo seria tão diferente..

quinta-feira, 3 de março de 2011

295> SERGUTH E OS SETE CAMINHOS


Lembranças das pessoas que tiveram que partir
Ou que ficaram quando eu partir
Vejo suas faces nas lapides que nunca tocarei
Antes de navegar aqueles mares novamente
Ruinas de um labirinto superado
Sem as desculpas pertinentes aos fracos
Mas desculpas são desculpas
Perdem-se na zona invisível da íris

Quando as estrelas brilharam não estávamos aqui
Senti tanta falta da luz que quase parti
Senti as trevas do abandono
Pura ilusão, distorcida ilusão.

Onde estão os militantes das causas efêmeras
As lagrimas escorrem em valas e drenos profundos
Vazios percebidos na alma repleta de fuligem
Nós sabemos e sobretudo eles
Alguém vem de longe para colorir
Novas pinturas em antigas molduras
Presente dos que sempre estiveram aqui
Sete caminhos entre o céu e a terra
O mesmo canto reformado do hospital
Ponto de forças que me acolhe
Agora com a nova mobilha sideral
Olhos verdes fosforescentes voltam a brilhar

Nas crianças esquecidas do Maria Lucinda
A força e o amparo
Prisões destruídas e muros vigiados
Através da noite silenciosa e solitária
Trilhas invisíveis entre a dor e o sofrimento
Zeladas pelo padre do manto vermelho
Nos monitores os corações ainda batem
Mas as almas não são mais deste mundo


Recife, 3 de Março de 2010
Aos pequenos mas grandes zeladores dos corredores do Maria Lucinda.
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

294> O SENTIDO DE TUDO


Gostaria de estar mais perto
E de fato estou
Medidas definidas em dimensões
Perdidas na nevoa da razão
Determinada por conceitos tão pequenos
A saudade mãe eterna da angustia
Ou impulsiona ou paralisa
Passado e futuro
Infinito
O que nunca se foi
E sempre esta

Entes perdidos nestas linhas
Almas afastadas degraus abaixo
O luto existencial que nunca acaba
Medo, incerteza, descrença
A tríade que nos persegue
Um filho que morre antes dos pais
Que já nasce morto
A busca incessante pela vida
Uma nova vida
Um novo sonho

Cascavel rubra com cabeça dourada
Corpo pintado saltando no astral
Aos pés da índia imponente
Inerte
Ardendo no arbusto
Chamas que não queimavam
E tudo ficou mais claro
As crianças sorriram
Enigmáticas

Incontáveis historias mal contadas
Muito do que não se deveria saber
Ao menos agora
Ao menos aqui
O universo esta em nós
Mas não cabe em nossas cabeças
A única certeza era a duvida
O sentido de tudo é que tudo tem sentido
É só o que nos é dado saber


Recife,28 de Fevereiro de 2011
e isso é tudo ...

domingo, 27 de fevereiro de 2011

293> SEM MEDO DO ESCURO


Atravessando ruas tão escuras
Acompanhantes efetivos e invisíveis
Resgate junto ao chão
E não sei os vossos nomes
Mas sei que são por mim

Como brilhava aquele sorriso
O charmoso enigma da dama do sem fim
A liberdade vigiada pelos corvos
A liberdade negociada dos senhores
E a liberdade irrestrita do amor

O quadrante foi devidamente cercado
Agora será conosco o desfecho
E pela fé iremos ate o fim
Mesmo que seja o nosso fim

Armas que não ferem a vontade
Nas guerras de força e poder
Nas cercanias onde a maioria dorme
Mas isto é bem claro para mim.


Recife,27 de Fevereiro de 2011

domingo, 13 de fevereiro de 2011

292> A ORDEM DO CAOS


Por toda prata que há no céu
Mantenho a esperança e Fe na humanidade
Sozinho na sala outrora escura
Vejo as nuvens carregadas
O som das águas celestiais
O vôo preciso dos morcegos

Seres alados despencam das alturas
Não eram anjos
Seres menores flamejantes os recepcionam
Não eram demônios
Verdadeiro apocalipse no campo santo
Julgados e condenados pelas propias consciências

No horizonte oito mastros de madeira
Mas só sete estavam presentes
Alguns sofrem na carne e outros no espírito
Somente o silencio era ouvido
Mundos desabando em mundos
Pesados pesares ecoam atemporais

Retorne e resgate os meus disse meu pai
Viva e ame os teus disse minha mãe
E meu corpo se encheu de símbolos
Uma luz para curar a ingnorancia
E uma espada para sempre lembra-los
Dos espaços entre o céu e a terra...


Recife, 13 de Fevereiro de 2011

sábado, 12 de fevereiro de 2011

291> OBRA DA RAZÃO


Casas abandonadas eram um território fértil
Descobrindo a essência da verdadeira face
Jardins de lama reciclada
Eu não afundo
Afinal ordens são ordens

Chamas de metano emergem ininterruptamente
O observador agora observado
Eu
A linha do trem se une no horizonte
Pura ilusão
Homens jovens se atiram contra ideais
Outra ilusão
A pintura dos anjos caídos
Tudo que poderíamos ser e que não fomos
Obra da razão

Ate os grandes choram sua natureza
Mesmo que a cada sete mil anos
Choram os anos perdidos
Pois o tempo muda tudo

Transformação nunca foi questão de opção
Os estáveis nunca são os mesmos
Que o mundo gire sempre comigo
Assim verei a susseção dos dias e noites
Aton cruzar o firmamento
Refletindo nossas janelas estilhaçadas
Pois a luz sempre se fará presente
Na medida que séculos se fizerem dias


Recife, 11 de fevereiro de 2011
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

290> OM



Contos dos que os outros chamam de sonhos
Pontes suspensas no rio de ondas primordiais
O pacto velado entre os leões e os homens
E o universo se fez real
E o real se fez universal

A menina do berçário de estrelas
Sonhava com mundos colapsados
Vidas dentro de vidas
Sonhos repletos de sonhos
A juventude que nunca envelhece

Registros imprecisos de minha memória
Na colina agora vejo o vale de lagrimas
Secas e silenciosas
Lira agora tão distante de seus filhos
Separados nas dimensões bipolares

Entre o zero e a unidade nós a dizima
Linhas que nunca foram retas
Leis que sempre foram leis

Alem desta direção só queda
As portas solidas estão fechadas
Átomos unidos por partes separadas
Afinal vejo que nada existe
Pois a existência é um condicional


Recife, 9 de fevereiro de 2011

domingo, 30 de janeiro de 2011

289> ESCAPULÁRIO


Nefasta política do medo instilada
Nada inesperado deste rei da ilusão
Sombreando a noite dos aliados
Quem mergulha quer afundar
Mas quem cai só quer se elevar
A correnteza deflora suas hierarquias
Como o tempo arranca a carne do osso

A certeza vem em um facho de luz
Um horizonte luminoso no oriente
A incerteza não mais será uma cruz
Ditando o temor de um fim iminente

Crianças no corredor patrulham a noite
Mãos na face para não ver o holocausto
Todos os filhos de todas as filhas
Não mais colhem o milho nos campos
Distantes, distantes para sempre

Aliança esquecida milhas ao longe
Anéis espalhados nas mãos de alguém
Moedas que compram vidas
Mil razões para voar
Suba, suba ate não poder mais
Suba, suba ate não ver mais
E se na sua angustia você despencar
Que o mar seja sua ultima lembrança


Recife, 30 de Janeiro de 2010
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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

288> OVO NEBO NED NAMA


Areia úmida sob os meus pés
A imensidão de todos os sonhos
Toco a fronte na espada fincada
Olhos cerrados e as nuvens em movimento
E o céu acima de nós

A beleza de uma doce morte
Afiançada aos meus lábios
E todas as palavras na minha face
Sem detalhes
E as flores enclausuradas
Pelas pequenas coisas do agora

Trovoes inaudíveis agitam a terra
Não temo o vale das sombras
Corpo paralisa e a alma se liberta
Esperando o senhor da sétima onda

O que fiz e o que deixei de fazer
O que fui e o que agora serei
Uma aquarela viva e um mosaico
No céu acima de nós


Ipojuca, 26 de Janeiro de 2011

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

287> O CIRCULO VIBRANTE


Historias de vidas desconhecidas ao contador
Historias suspensas na linha das existências
Vagando de mente em mente
Noite após noites revidadas
Dia após dias pressentidas

A água da chuva que retorna a terra
Gotas cristalinas refletem o mundo
A surpeficie dos lagos dançando
Dó maior e ré menor
Ascensão e queda

Caídos no solo úmido do ressentimento
Visionários perdidos nos espaços invisíveis
Legiões observam ao longe
O ultimo e previsível movimento
Sempre será o mais sincero

Assim a vida precipita-se universo a fora
Convergem em ondas propagadas
Na mais vibrante aventura
Uma lembrança sempre infinita
Que todo circulo se fecha


Ipojuca, 24 de Janeiro de 2011

domingo, 16 de janeiro de 2011

286> LEON E O CAMPANÁRIO


O ambiente secou como a pele mumificada
Ninguém mais seria testemunha do encontro
Somente os convidados estão autorizados
Somente os do mesmo pesado anel distante

Longe da distancias normais e perto da mente
Em uma confiante prontidão no vale das flores
O brilho verde iridescente denuncia seu olhar
Na ultima noite ouvi-o no sino da igrejinha

Livremente caminhando onde o tempo parou
O senhor também e teu pastor e nada te faltará
Do elmo dourado ao uniforme agora sangue rubro
As próprias cobranças em lagrimas silenciosas

De onde meus olhos não alcançavam as estrelas
Quem não viu teus olhos e quem te difamou
Sangramos onde eles celebram nossas falhas
Então traga o destino àqueles das falsas juras

A solidão foi a mais fiel de todas as companhias
Por um tempo não relacionável ao nosso tempo
A justiça foi a mais divina dádiva nessa terra
Onde os cavalos cospem-nos com o fogo da ira

O poço secou, mas a queda ainda é profunda
O vento sopra uma brisa quente que não refresca
Voltemos ao campanário de todos os caminhos
Onde os invigilantes humanos são vigiados


Recife, concluido em 16 de Janeiro de 2011
Cumpadreeee ...
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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

285> A INCERTEZA TRÊMULA



Algo que chega antes da exaustão da mente
Algo que toma as fibras e arrebata a alma
Na mais remota planície restou a contemplação
Típica dos possuidores do lápis da historia
Vertendo alegremente o próprio sangue
Quem virá agora definitivamente nos libertar
Da incerteza trêmula que nos levou a tombar

Alguns séculos depois as lagrimam ainda caem
Singelo pesar soprado pelas vozes do vento
Implícito entre a beleza delicada das flores
E a aspereza da sucessão dos duros invernos

O leque estendido dos mais humanos sentimentos
A minha solidão é filha de uma separação
Que se passou antes mesmo do nascer
E a vida fez-se um outono ainda sem frutos

Vejo candeias no meu tão único caminho
Fora dele memórias e faces desfocadas
Pelos anos no escuro labirinto
As velas delineiam a sombra dos lobos
Vitimando os que os fazem existir
Pois ao castelo escolheram o covil...
E que não seja o dragão o meu guia.


Recife,11 de Janeiro de 2011
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sábado, 25 de dezembro de 2010

284> NO VENTRE DA ROSA


Na convergência dos sentimentos terrenos
Surge uma aura sublime dentro do coletivo
As vozes se unificam em um único som
Vindo de todos os tempos e todos os lugares
E todos os já que morreram agora vivem

Seria a alegria tão relativa?
Nossa visão não abrange nada alem de nós?
Se eu jazesse em um leito seria o natal feliz?
E se o medo de morrer o tornasse o pior?
Meu Deus, outra vez o medo de morrer...

Se temer o inevitável fizesse sentido
Uma nuvem escura cobriria os sorrisos
Se tivermos uma visão estatística da vida
Então já estaríamos mortos em vida
Ao invés de vivos na morte

Fechei os olhos e corri para longe
Puro, livre e com alegria única das crianças
Tudo se completa no ventre da rosa
Pois entre as nuvens vislumbra-se o sol
E nas trevas girassóis esperam impacientes

No perímetro externo o trono cinza
Como quis ver o seu senhor sorrir
Mas alguns incorporam o sofrimento
A alva pele daquela que não sei nome
Trazia-me calor naquelas noites frias

Soube que uma estrela trouxe os três reis
Como brilhava na noite da ignorância humana
Uma canção e mãos invisíveis balançam o berço
É o tempo dos filhos ensinarem os pais
É o tempo dos donos do tempo


Recife, Natal de 2010
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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

283> OS PORÕES DA CONSCIÊNCIA


Um descuido momentâneo da guarda
O cadeado enferrujado estava aberto
Sinto o de dentro vestir-se de fora
Nos corredores a palidez das estatuas
Fantasmas de um passado morto

Procurando pelo real sentindo do perdão
Vagando entre o manifesto e o imanifesto
Qual deles sou eu ou quantos deles sou eu?
Todos foram eu um dia
Mesmo que em um sonho
Peregrinos separados do criador
O olhar separado da multidão

Magias e encantamentos sob pura fé
Tangiam as trevas
Com a força das palavras
Com a força da vontade
Nos porões da consciência
De joelhos rezo sozinho
De joelhos rezo por perdão


Recife,22 de Dezembro de 2010
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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

282> NOITES FEBRIS


Caminhando nas estradas do sem fim
Molduras de sorrisos e pinturas de dor
E ninguém se lembra da casa do artista
E tudo foi ficando cada vez mais distante
Onde sempre se começa aonde se termina

Mas hoje surge uma nova possibilidade
Através da camada espessa da noite
Uma estrada de luar estendida no mar
Minha ponte e também minha fuga
Outro retorno a terra dos aeródromos

Outra caravana se prepara para partir
O que ela achará da espada prateada?
Sendo que usamos a mesma farda

Historias das minhas noites febris
Onde nem tudo era consumido
Memórias do fogo protegidas
Gravuras arquivadas no tempo
Algo que se pode contar para si


Recife,21 de dezembro de 2010
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terça-feira, 30 de novembro de 2010

281> MÃE DE TODAS AS MANHÃS



Às vezes o céu se confunde com o mar
O que é primavera e o que é verão?
Palavras guardadas para nunca falar
Jardins que só existem na emoção
Mesmo que seja eu o único a sonhar

Cães ainda podem morder no andar a baixo
Não era meu aquele sangue na parede
Muitos hertz acima tudo brilhava
Meu pai onde estão tuas espadas?
Só assim poderei me aproximar

Corações impetrificaveis aos meus olhos
Tragam a tona as mais belas memórias
Mãe de todas as manhãs venha me cobrir
Sorrindo não temerei e usarei sua mortalha
Igual ao sol dourado que varre esse vale

Nome escrito na areia
Sangue proscrito na veia
Assim observo os caminhos
E quando me sinto sozinho
Acendo as luzes


Recife, Uma manhã de novembro de 2010
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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

280> OS COMPANHEIROS COM MANTO DE LÃ


O silencio tem vozes que vem de dentro
A essência e o sabor da verdadeira pureza
Na calada dos séculos vem com os profetas
Esvaziando a ânfora das intimas angustias
Face e pele são agora uma casca ressecada

Os naturais se tornaram estranhos ao mundo
Porque a febre do possuir não os possui
Já que todas as estradas sempre se unem
Assim como os desejos sempre desagregam
A noite ainda é escura assim como foi criada

É fato que a estamos sempre buscando
Não importa se já o temos
A uns se deve dar e a outros retirar
Mas a todos se deve equilibrar
E tudo segue sua própria natureza

Eu ainda sou eu, mas logo serei você
E assim que você for tudo será eu
Basta sermos como os cães
A verdade só se reflete se for verdade
A realidade manifesta uma só vontade


Recife,29 de novembro de 2010
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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

279> CASTELO DOS VENTOS BRANCOS



Em sonho bem acima do quinto céu
Vejo o castelo dos ventos brancos
Quase imperceptível entre as nuvens
Silhuetas enevoadas nos portões
Torres espiraladas de puro cristal
Sinos e as perfeitas oitavas musicais

No mirante de formas quase femininas
Passagem visual para a terra dos bosques
Varias realidades abaixo dos cirros
Era o mesmo que soprava na casa vazia
Era o mesmo que ligava os dois mundos
Cheios de odores das flores que se foram
Com as frias noites nos cobertores alados
Eles não possuíam nenhum dono
Sua senhora partiu na ultima primavera
Deixando apenas uma pintura na parede

A alva Iris dos campos a tudo recobre
Seu mortal hálito gélido sela o ciclo
Hora de guardar todas as sementes
Olhos levemente mais quentes que o ar
Pairam no retrato agora fora de esquadro
Único vislumbre do refugio distante
Única passagem para seu novo castelo
Onde o retorno é agora uma promessa


Recife,26 de novembro de 2010
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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

278> TODAS AS DORES DE CAIN


Quando o vento sopra de fora para dentro
Despindo o manto aveludado de nossos egos
Ate o mármore áspero do intimo ser visível
A dor onipresente de quem existe só por existir
O peso da sombra inegável e indesvecilhavel
Marca uma fronteira invisível entre instintos
E a natureza humana foi separada das demais

A essência é desvirtuada pela parte negada
Véus e tecidos finos cobrem a bestialidade
Areia veste o que esta enterrado na alma
A saga dos animais que não se viam animais
Desilusão transformada em profundos temores
E desses temores brotaram todos os males
Venenos que criamos e ingerimos veladamente

Fechando os olhos veio a escuridão
E na escuridão se pode ver a luz pura
Distintas das que brilham desfocadas

Pairando alem dos modelos atômicos
Atravessando uma barreira imaterial
Voa a parte mais indescritível de nós

Armadilhas elaboradas esperam o saber
Cercado pela angustia que nos marca
Quando nos afundamos em conhecimento

Uma voz reverbera sempre dentro de nós
Diferentes volumes, mas o mesmo dizer
Conexão imediata com o desconhecido
Algo que os presunçosos julgam conceber
Palavras perdidas no abismo da linguagem
O reflexo de todos os filhos de Caim
No fogo que não se apagará jamais

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

277> DIÁRIO DE UM CRUZADO


Um único olhar e o caminhar em silencio físico
Os últimos raios da manhã partem rumo ao oriente
Sobe e desce angular na ponta do astrolábio Mouro
A vaidade embriaga como o forte odor de gengibre

Sonhos com distantes e exóticos rostos
O que dirão nos seculos que virão
Nada do que foi escrito foi sentido
Nada do que foi omitido foi perdido

Arabescos brilhavam na escuridão
Lua crescente de todos os cavaleiros
Falavam com os seres do vento
Rezando como se fosse o ultimo luar

Uma criança chorava noite a fora
Uma distração indevida a meia noite
Transportado por lembranças ao lar
Seus olhos equilibravam-se nas orbitas

Quem escolhe quem deve sobreviver?
Quem deve caminhar entre cadáveres?
Decidir pelo que já foi a muito decidido
Através da penumbra a salvo na proa

Sem encontrar as respostas das perguntas nunca feitas
No reino prometido nada foi prometido por deus
De volta as sombras sem nunca ter visto as luzes
Cruzes de fogo nas marcas de nossas almas em pânico

Recife, 17 de novembro de 2010
Também postado na Fabrica de Letras

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

276> AQUELES QUE MORAM EM MIM


A sublime voz dos contos de vida e morte
Perpetua inabalável entre a incompreensão
Espelhos que jamais foram usados
Na pureza do primeiro pranto ao nascer
Perdida nos punhais afiados do tempo
Dilacerava corpo e alma

Perdoa aqueles que moram dentro de mim
Perdoa-me por não pacificá-los
Existe sentido na guerra pela paz
Somente Arjuna pode conceber
Somente eu posso me vencer

Em meus anos procurei um messias
Em meus planos me tornei um guia
Os cômodos eram escuros
As passagens estreitas
E todos eram da mesma família
Cavernas que Vollenweider desconhecia

Viver minha vida ao meu lado
Coexistir com tantos seres
Dentro e fora do que penso ser eu
A face mais absurda do ser humano
Não nos torna imperfeitos
Se a fé se une ao destino


Recife,12 de novembro de 2010

275> CONVULSÃO DE MUNDOS


Descendo escadaria de degraus laminados
O ser ainda não formado vai adormecendo
Na sala das chamas agora só há cinzas
Mas existem outros a muito formados
Personalidades forjadas em outros tempos
Combatendo pensamentos que já criamos

Eis porque nem sempre nos reconhecemos
Nos sonhos mais profundos e enigmáticos
Como um motim de impossível controle
As múltiplas pétalas de uma flor
Os vários espinhos
As inúmeras cores

Uma luz atravessa a deformação
Num piscar de olhos o retorno
Longe no tempo e em outras dimensões
Mas existe para sempre o ponto de fusão
Fio do rosário concebido e inconcebido
Esticado alem do nosso alcance visual

Bendita é a narcose que nasce conosco
Para novas raízes romperem o universo
Longe da fonte de todas as loucuras
Ate as asas negras da noite ressuscitarem
As vozes que convulsionam os mundos


Recife,12 de novembro de 2010
Também postado na Fabrica de Letras

terça-feira, 9 de novembro de 2010

274> NORMANDO E OS ANJOS



Um quarto não tão escuro quanto o primeiro céu
Ajoelhado todas as noites depois da ultima morte
A abobada estrelada e o decreto de retorno
Tempos diferentes e a lentidão do alfanje
Liberto pela luz de todas as estrelas

Eles costumavam observá-lo nos intervalos
A visão do vagamente preciso gigante negro
Não se iludia com as palavras voláteis
E a eloqüência dos sacerdotes o entristeceu
Foi quando eles trouxeram a revelação
“Normando Deus esta no começo e no fim,
Tudo entre o Alfa e o Omega é promessa divina”

A teologia nunca mais fará escravos
O vento soprou profético e a chuva caia
Foi assim que minha sala foi inundada
E pude sentir seu coração pulsando
Quem esta liberto e quem é prisioneiro?
Olhem para a verdadeira hierarquia
A sabedoria que quebra os cadeados
Retidão que mantém em pé
Até o medo se dissipar
Até o sonho se realizar


Recife,9 de novembro de 2010
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domingo, 7 de novembro de 2010

273> PRESSENTIMENTO


Tempestades de eletricidade sutil e imperceptível
Angustia e medo repentinos no ar cinza cortical
Ciclos de diferentes eus voltam a tomar forma
A deriva nos mares da incerteza momentânea

O tempo parece distorcido no meu referencial
Tudo perde dinâmica e reduz seu compasso
Os sentidos seguem alertas noutra realidade
A mão direita é preparada com o símbolo

Em ondas as percepções são restauradas
A singularidade se desfaz em sombras
Preparem a fogueira para queimar
Tragam as antigas preces e os cânticos

Aqueles acima dos riscos assumidos
Aqueles abaixo dos mundos possuídos
Unidos pela delgada membrana cônica
Separados na densa cortina da matéria


Recife,6 de novembro de 2010
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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

272> SOBRE A MORTE


Retângulos bem separados e bem protegidos
Muitas vezes acha-se que não se pode suportar
O velho retrato na sala e aquela mesma musica
E o dia se encheu de passado
E o dia se encheu de saudade

A através de desejos incontidos e não naturais
Todas as maneiras de negar o que não pode negar
Os olhares borbulhando se fazem presentes
Iniciando as vidas não vividas dos que ficaram
Isolados nas crenças egoístas da perda
Mas só se perde o que se possui

A especificidade torna a partida mais dolorosa
Em um mundo de solidão cada pétala importa
Os jardins divinos estão agora mais perfumados
As estrelas celestes estão agora mais sorridentes
Outro corpo deixou a alma
Outro sono para despertar

Os ponteiros continuam a marcha angular
Os porteiros têm muito a trabalhar
Em breve os salões estarão cheios
É o fim da mais maravilhosa aventura
Ou o inicio da mais cativante descoberta


Recife,3 de Novembro de 2010
Imagem by Aeterna Doloris