ECOS

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Chittorgarh-India

domingo, 17 de abril de 2011

307> AS ULTIMAS HORAS


Quarto frio tarde chuvosa de Abril
Os espaços confinados da mente
Na desenvoltura da escura fronteira
Ela surgiu vivida em sua nova vida
Alva como sonhos de Cruz e Souza

Um ultimo olhar ainda consciente
Décadas se fizeram frações de segundo
Deixarei-te ir sem saber meu nome
Eis os fantasmas que me perseguem
Pedindo urgente clemência e liberdade

Ate os antigos conselheiros sorriram
E o brilho transbordava o recinto
Nem sempre se dava assim
Momentos que só existem na memória
Mas existem para todo sempre

Se eu pudesse abençoar vidas
Como um dia foi feito
O faria na derradeira dor
Em um ritual sem palavras
Como vocês podem ver

Se eu pudesse devolver algumas horas
Como em um sonho atemporal
Segundos voltando a serem décadas
O primeiro sorriso
O primeiro amor
O primeiro filho
A primeira lagrima
A primeira dança
Novamente te encontrariam antes
Do ultimo suspiro
Das ultimas horas


Recife, 17 de Abril de 2011

segunda-feira, 11 de abril de 2011

306> PRODIGIO


Salvas de trovoes saúdam o sol
Relampejos de uma nova manhã
Sentida no reflexo da pele
Preparei-me para o corte da duvida
Aquilo não podia ser verdade
Foi assim quando o véu caiu

O vento vem me contar historias
Leva e trás almas em minha vida
Escuto o fogo das explosões
Um prodígio na própria alma
Encontrei a única resposta
Não há respostas

Face a face com os espelhos
A tão sonhada redenção
A mais sublime lição

O Maximo agora tende ao mínimo
Atenção no alto
E resignação embaixo


Recife, 11 de Abril de 2011

quarta-feira, 6 de abril de 2011

305> REFLEXOS DO VAZIO



Enfim deixe tudo passar
A natureza seguir seu ciclo
Tudo girando e se movendo
Desligue as luzes artificiais
Pois a noite foi feita escura

Nas portas do amanhecer
O som dos pássaros
O som do silencio
Ate o meio-dia não serão ouvidos
Mas ainda estão La

O solido é tão cheio de vazios
A visão é tão cheia de reflexos
Tantas vezes a ação é infrutífera
Entre tantos caminhos escolho nenhum caminho
Entre nenhum caminho escolho o não-caminho

O moinho enche suas pás subindo
E esvazia descendo
Assim é o coração
Tudo surge só para desaparecer
Assim é a razão
Tão inaplicável...


Recife, ultimos minutos de 6 de Abril

quinta-feira, 31 de março de 2011

304> FEDAYKINS


Aqui estou e aqui estas
Eu não sou eu e você não é você

Sentem-se enquanto o mundo convulsiona
Sob a lua imparcial que nos cobre de orvalho
Materializaremos o desejo de nossos corações
Todos sentem uma saudade que rasga a alma
Ecos das derrotas e glorias de nossos graus
Aquele busto sem face e vestimentas reais
A coroa definida no alfabeto divino

Assim seguimos nas noites do tempo
Unidos sob um brasão e uma missão
Às vezes separados em dimensões
Queimando todo o fluxo contrario
Causando a ira dos cáusticos dragões
As sombras de um passado morto
Escondidos da hora que se aproxima

Fogo de Kali, espada da lei e estrela do mar
Assim estaremos em todos os lugares
Sempre através do mesmo lugar
Temos pressa, pois muito seremos cobrados
O medo não faz parte dos nossos planos
Passos articulados a muitas gerações
Hinos que esperam para serem cantados

Aqui estamos porque tudo é transitório
E eu não sou eu porque o eu não existe


Recife, Ultima hora de Março
O circulo se fechará novamente...

quarta-feira, 30 de março de 2011

303> KALPA


Nada é eterno dentro do eterno
Onde opostos nunca existiram
O espaço é apenas uma definição
Toda realidade palpável é irreal
Fora do julgo de nossa perspectiva

Do alto da montanha mais alta
Subindo a arvore mais alta
Revoluções incessantes abaixo
Informações condensadas
Comprimidas ate se auto-expressarem
Um vórtice, uma singularidade
Aqui chamada vida

A energia sempre se conserva
Vibrando musicas diferentes
O universo prepara a contração
O jogo é novamente desfeito
Um mar de plasma nuclear
Onde todas as forças se encontram
Onde todas as portas se abrem

Novas idéias não lineares, mas concêntricas
Novas percepções e então novas leis
A alma é a lanterna que ilumina a criação
Tornado visível, mensurável e aparentemente real
Nossa existência inequivocamente atemporal

Recife, 30 de Março de 2011

segunda-feira, 28 de março de 2011

302> REFLEXOS DE UMA NOITE ESTRELADA


Em dado momento tudo se expandiu
Um vento de partículas ainda puras
Rodopiou poeira em galáxias
E ainda sopra hoje
Na historia de todos nós
Na historia de tudo

Lagrimas tímidas marcam meu rosto
Seguindo a grande lei da gravidade
Saltam ate tocar nosso orbe
Evaporam deixando o sal na terra
Tantos ciclos nos envolvem
Às vezes imperceptíveis
Às vezes ignorados

Tantos se deixam passar pela vida
Como estrelas órfãs vagando
Astros frios errantes em si mesmos
Sinto um enorme pesar que me liberta
Pois todos nos encontraremos
Um dia nos confins do universo

Desejar o bem é diferente de fazê-lo
Desejos nada mais são que desejos
Desejos sempre geram dor
Sempre
Verbo é ação
Ação é movimento
E movimento é vida


Recife, ultimos minutos de 27 de Março de 2011

sexta-feira, 25 de março de 2011

301> DEGREDADOS FILHOS DE EVA



Maré que sobe sobre nossas construções
Ninguém em terra firme
Perdido do olhar atento do artista
Dilúvios previstos pelos antepassados
O mais obscuro e divino quadro

Assim estava escrito em Koricancha
Tive medo dos olhos de Pizarro
Vasculhei as gavetas mais profundas
Procurando afastar as trevas
Em busca de uma candura perdida

Sonhei com o principio de nossa jornada
Trombetas no céu escarlate
Toda a fúria da misteriosa criação
Sob os semblantes severos das legiões
O solo ruindo como nossa realidade
Conspirações de distantes constelações
Gargalhadas sentidas nas entranhas

Herdeiros dos tronos celestes
Agora vagam entre a terra e o abismo
Alegram-se em respirar
Entristecem todo ciclo evolutivo
O vazio absoluto para ser preenchido
Lembra-se dos Gregos e de Pandora?
Afogados acorrentados ao ego

Precisamos
Do sol
Da distancia perfeita do sol
De energia densa em forma fluídica
De um referencial chamado tempo
E tudo nos foi dado

Antes marcharemos uns contra os outros
Daremos forma ao que nunca teve forma
Desesperados nomearemos o inominado
E mataremos por esses nomes
Cobriremos a luz com um véu escuro
Chamaremos a atenção do céu
Ate que mediante a aparente entropia
Não tenhamos mais escolha
Avançar, prosseguir é o que nos resta
No passado bilhões de estatuas de sal
No presente o inicio
No futuro um novo inicio
Para os degredados filhos de Eva



Recife,25 de Março de 2011
Sobre nós mesmos e nossa épica historia..

domingo, 20 de março de 2011

300> HISTORIAS DA LUA CHEIA


Imóvel no firmamento irradiando sonhos
O tempo reduz o fluxo para admirar
Tudo se enche de uma inaudível musica
Teus signos e arcanos magnetizando a água
A obvia interpretação da polaridade do sol

Hipnotiza os filhos do naipe de copas
Uma túnica luminosa escorre do céu
Saudoso como um acordeom na noite
Serena como a vila dos meus sonhos
Luz de óleo quente nos postes da estrada

Contempla os amantes com tuas historias
Nas indecifráveis marcas de tua pele
Um portão para outra iluminada época
Ajoelhada e impotente minha alma é atraída
No teu reflexo fagulhas de vidas já vividas


Recife, 20 de Março de 2011
Ouvir Moonlight wrapped around us - Andreas Vollenweider

299> SRI RAMA-TYS



Montanhas moveis suspensas na coluna d’água
Assim vejo a surpeficie do mar que toca as praias
Com um triangulo prata invertido na lua cheia
Porque nada é o que parece ser
Mas tudo é alguma coisa
Todas as coisas

O sentimento de inferioridade diante do universo
É o fiel da balança do ego em nossa humanidade
Palavra ainda sem contorno
Mas deriva do humano
As definições que esbarram muro após muro
Porque nada se define

A visão do caos só pode partir da mente caótica
Neste caso a lógica é simples
Identificamos-nos com o que somos
Mas nada de fato construímos
Só modificamos
Na razão de sermos modificados

Se as estrelas te chamam então brilhe
Se é ar que respiras então viva
Se são asas que aspiras então voe
No momento certo então também morra
Ou pretendes ser somente o que é?
Tudo não é incerto porque isto é uma certeza


Recife, 20 de Março de 2011
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segunda-feira, 14 de março de 2011

298> O DOCE SAL DA TERRA


Falavam uma língua que eu podia entender
Mas palavras são sempre palavras
Às vezes ouvia vozes nos átrios
Às vezes blasfêmias incontáveis
Mas preferi ouvir minha mente

Meus castelos de luz e meus anjos de guarda
A noite clara e o vento soprando ameno
Maio se aproxima novamente
E podemos fazer tudo mais gracioso
Voando livre em sonhos misteriosos

Aprendi a ver bem as suas idades
E a cidade perdida em seus jovens
Não precisamos desistir
Passos ora rápidos e ora lentos
Mas o destino cria suas curvas
Crenças que nascem para logo morrerem
Descrenças prontas para serem colhidas

Girando no carrossel a visão distorce
Adrenalina vitimava nossas veias
Serotonina em todas as gargalhadas
E eu tinha dez mil anos alem
As sementes que eclodiam rapidamente
Sem acreditar em si mesmas
Olhando o céu que nunca tocarão
Esquecidas do doce sal da terra

A caixa de pandora estava vazia
O santo grau não existia
Senti o peso dos milênios
Contando historias de amor
Mas sem acreditar em todo seu esplendor
Fui uma marionete com olhos plásticos
Refletindo o brilho amargo de ser um ser


Contos de um passado morto
Sem tempo para as ruas solitárias
Rindo das próprias escolhas
Não precisamos mais de nada palpável
Sentimentos de libertação mostraram as luzes
É só seguir o caminho sem tijolos amarelos
Para ter poder sobre a sucessão dos dias
Eles sabiam e agora eu sei...


Recife, 14 de Março de 2011

domingo, 13 de março de 2011

297> VELOZES FRAÇÕES DO INFINITO


Um vulto entre as sombras dos postes
A derradeira lembrança de Baruch
Agora a plenitude preenche meu ser
Abandonei a noção humana de abandono
O luto mais obscuro deixado pela saudade
Nascer e morrer são apenas eventos
A vida transcorre no meio

A orquestra prepara-se para o tema final
Um clarão e minhas mãos se enchem de luz
Tudo que não fiz escorre como liquido
Entre os espaços dos meus dedos
Ate tocarem o chão o tempo é infinito
Mas para nós fora tão breve
E é assim que tudo transcorre
Velozes frações compõem o infinito

Perdidos em ondas e sons sublimes
Cavalgando ao lado da caravana
Nenhum de nós era realmente daqui
Portas que se abrem sob escombros
Portas que se fecham sob a razão

Atentos aos raios solares no vale
Resta esperar por um novo amanhecer
Todos os milagres da alma
Inspirações profundas são botões de rosa
Um aroma tão precoce
Escute o vento nas arvores
Assim ele fala com nós
Sempre


Recife, Primeira hora do dia 13 de Março, 2011

sábado, 12 de março de 2011

296> DECIDA A UM PLANO NEGATIVO


A ligação era agora claramente perceptível
Sansara dos desejos humanos
Desejos da alma
O universo existe como forma de expressão
O tempo nada mais é que um registro

Crianças desvirtuadas nas esquinas das ruas
Encruzilhadas da vida
Tantos planos e tantos sonhos
Negativados e nada arrependidos
O tão cobiçado ar destas densidades
Já lhes bastavam

Face desvitalizada e veias cianóticas
Olhos de âmbar que não sabem mais sorrir
Cabelos esvoaçados como seus pecados
Envenenadas, escravizadas por suas falhas
Que venha meu destino

Advertido fui em sua nobre morada
As três belas da noite acompanharam-me
Foi onde pude ver alguma compaixão
A gravíssima voz do senhor daquela faixa
Seu apuradíssimo senso de justiça
A raiva inoculada dos cães ruivos
Em suas sinas esmaguei seus crânios

Outra vez banido
Alem daqueles portões só aquelas mulheres
Sem olhos e só ódio
Porem pai Joaquim nunca abandona um filho
E assim continua brilhando no céu

Foi-se o tempo das fraquezas
Chegada é a horas das certezas
Milhões de vozes no mesmo tom
Um brinde a nova fortaleza erguida na alma
Uma rara flor nasceu no lodo
Pronta para ver o sol brilhar...


Recife,12 de Março de 2011
Se todos podessem ver o mundo seria tão diferente..

quinta-feira, 3 de março de 2011

295> SERGUTH E OS SETE CAMINHOS


Lembranças das pessoas que tiveram que partir
Ou que ficaram quando eu partir
Vejo suas faces nas lapides que nunca tocarei
Antes de navegar aqueles mares novamente
Ruinas de um labirinto superado
Sem as desculpas pertinentes aos fracos
Mas desculpas são desculpas
Perdem-se na zona invisível da íris

Quando as estrelas brilharam não estávamos aqui
Senti tanta falta da luz que quase parti
Senti as trevas do abandono
Pura ilusão, distorcida ilusão.

Onde estão os militantes das causas efêmeras
As lagrimas escorrem em valas e drenos profundos
Vazios percebidos na alma repleta de fuligem
Nós sabemos e sobretudo eles
Alguém vem de longe para colorir
Novas pinturas em antigas molduras
Presente dos que sempre estiveram aqui
Sete caminhos entre o céu e a terra
O mesmo canto reformado do hospital
Ponto de forças que me acolhe
Agora com a nova mobilha sideral
Olhos verdes fosforescentes voltam a brilhar

Nas crianças esquecidas do Maria Lucinda
A força e o amparo
Prisões destruídas e muros vigiados
Através da noite silenciosa e solitária
Trilhas invisíveis entre a dor e o sofrimento
Zeladas pelo padre do manto vermelho
Nos monitores os corações ainda batem
Mas as almas não são mais deste mundo


Recife, 3 de Março de 2010
Aos pequenos mas grandes zeladores dos corredores do Maria Lucinda.
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

294> O SENTIDO DE TUDO


Gostaria de estar mais perto
E de fato estou
Medidas definidas em dimensões
Perdidas na nevoa da razão
Determinada por conceitos tão pequenos
A saudade mãe eterna da angustia
Ou impulsiona ou paralisa
Passado e futuro
Infinito
O que nunca se foi
E sempre esta

Entes perdidos nestas linhas
Almas afastadas degraus abaixo
O luto existencial que nunca acaba
Medo, incerteza, descrença
A tríade que nos persegue
Um filho que morre antes dos pais
Que já nasce morto
A busca incessante pela vida
Uma nova vida
Um novo sonho

Cascavel rubra com cabeça dourada
Corpo pintado saltando no astral
Aos pés da índia imponente
Inerte
Ardendo no arbusto
Chamas que não queimavam
E tudo ficou mais claro
As crianças sorriram
Enigmáticas

Incontáveis historias mal contadas
Muito do que não se deveria saber
Ao menos agora
Ao menos aqui
O universo esta em nós
Mas não cabe em nossas cabeças
A única certeza era a duvida
O sentido de tudo é que tudo tem sentido
É só o que nos é dado saber


Recife,28 de Fevereiro de 2011
e isso é tudo ...

domingo, 27 de fevereiro de 2011

293> SEM MEDO DO ESCURO


Atravessando ruas tão escuras
Acompanhantes efetivos e invisíveis
Resgate junto ao chão
E não sei os vossos nomes
Mas sei que são por mim

Como brilhava aquele sorriso
O charmoso enigma da dama do sem fim
A liberdade vigiada pelos corvos
A liberdade negociada dos senhores
E a liberdade irrestrita do amor

O quadrante foi devidamente cercado
Agora será conosco o desfecho
E pela fé iremos ate o fim
Mesmo que seja o nosso fim

Armas que não ferem a vontade
Nas guerras de força e poder
Nas cercanias onde a maioria dorme
Mas isto é bem claro para mim.


Recife,27 de Fevereiro de 2011

domingo, 13 de fevereiro de 2011

292> A ORDEM DO CAOS


Por toda prata que há no céu
Mantenho a esperança e Fe na humanidade
Sozinho na sala outrora escura
Vejo as nuvens carregadas
O som das águas celestiais
O vôo preciso dos morcegos

Seres alados despencam das alturas
Não eram anjos
Seres menores flamejantes os recepcionam
Não eram demônios
Verdadeiro apocalipse no campo santo
Julgados e condenados pelas propias consciências

No horizonte oito mastros de madeira
Mas só sete estavam presentes
Alguns sofrem na carne e outros no espírito
Somente o silencio era ouvido
Mundos desabando em mundos
Pesados pesares ecoam atemporais

Retorne e resgate os meus disse meu pai
Viva e ame os teus disse minha mãe
E meu corpo se encheu de símbolos
Uma luz para curar a ingnorancia
E uma espada para sempre lembra-los
Dos espaços entre o céu e a terra...


Recife, 13 de Fevereiro de 2011

sábado, 12 de fevereiro de 2011

291> OBRA DA RAZÃO


Casas abandonadas eram um território fértil
Descobrindo a essência da verdadeira face
Jardins de lama reciclada
Eu não afundo
Afinal ordens são ordens

Chamas de metano emergem ininterruptamente
O observador agora observado
Eu
A linha do trem se une no horizonte
Pura ilusão
Homens jovens se atiram contra ideais
Outra ilusão
A pintura dos anjos caídos
Tudo que poderíamos ser e que não fomos
Obra da razão

Ate os grandes choram sua natureza
Mesmo que a cada sete mil anos
Choram os anos perdidos
Pois o tempo muda tudo

Transformação nunca foi questão de opção
Os estáveis nunca são os mesmos
Que o mundo gire sempre comigo
Assim verei a susseção dos dias e noites
Aton cruzar o firmamento
Refletindo nossas janelas estilhaçadas
Pois a luz sempre se fará presente
Na medida que séculos se fizerem dias


Recife, 11 de fevereiro de 2011
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

290> OM



Contos dos que os outros chamam de sonhos
Pontes suspensas no rio de ondas primordiais
O pacto velado entre os leões e os homens
E o universo se fez real
E o real se fez universal

A menina do berçário de estrelas
Sonhava com mundos colapsados
Vidas dentro de vidas
Sonhos repletos de sonhos
A juventude que nunca envelhece

Registros imprecisos de minha memória
Na colina agora vejo o vale de lagrimas
Secas e silenciosas
Lira agora tão distante de seus filhos
Separados nas dimensões bipolares

Entre o zero e a unidade nós a dizima
Linhas que nunca foram retas
Leis que sempre foram leis

Alem desta direção só queda
As portas solidas estão fechadas
Átomos unidos por partes separadas
Afinal vejo que nada existe
Pois a existência é um condicional


Recife, 9 de fevereiro de 2011

domingo, 30 de janeiro de 2011

289> ESCAPULÁRIO


Nefasta política do medo instilada
Nada inesperado deste rei da ilusão
Sombreando a noite dos aliados
Quem mergulha quer afundar
Mas quem cai só quer se elevar
A correnteza deflora suas hierarquias
Como o tempo arranca a carne do osso

A certeza vem em um facho de luz
Um horizonte luminoso no oriente
A incerteza não mais será uma cruz
Ditando o temor de um fim iminente

Crianças no corredor patrulham a noite
Mãos na face para não ver o holocausto
Todos os filhos de todas as filhas
Não mais colhem o milho nos campos
Distantes, distantes para sempre

Aliança esquecida milhas ao longe
Anéis espalhados nas mãos de alguém
Moedas que compram vidas
Mil razões para voar
Suba, suba ate não poder mais
Suba, suba ate não ver mais
E se na sua angustia você despencar
Que o mar seja sua ultima lembrança


Recife, 30 de Janeiro de 2010
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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

288> OVO NEBO NED NAMA


Areia úmida sob os meus pés
A imensidão de todos os sonhos
Toco a fronte na espada fincada
Olhos cerrados e as nuvens em movimento
E o céu acima de nós

A beleza de uma doce morte
Afiançada aos meus lábios
E todas as palavras na minha face
Sem detalhes
E as flores enclausuradas
Pelas pequenas coisas do agora

Trovoes inaudíveis agitam a terra
Não temo o vale das sombras
Corpo paralisa e a alma se liberta
Esperando o senhor da sétima onda

O que fiz e o que deixei de fazer
O que fui e o que agora serei
Uma aquarela viva e um mosaico
No céu acima de nós


Ipojuca, 26 de Janeiro de 2011

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

287> O CIRCULO VIBRANTE


Historias de vidas desconhecidas ao contador
Historias suspensas na linha das existências
Vagando de mente em mente
Noite após noites revidadas
Dia após dias pressentidas

A água da chuva que retorna a terra
Gotas cristalinas refletem o mundo
A surpeficie dos lagos dançando
Dó maior e ré menor
Ascensão e queda

Caídos no solo úmido do ressentimento
Visionários perdidos nos espaços invisíveis
Legiões observam ao longe
O ultimo e previsível movimento
Sempre será o mais sincero

Assim a vida precipita-se universo a fora
Convergem em ondas propagadas
Na mais vibrante aventura
Uma lembrança sempre infinita
Que todo circulo se fecha


Ipojuca, 24 de Janeiro de 2011

domingo, 16 de janeiro de 2011

286> LEON E O CAMPANÁRIO


O ambiente secou como a pele mumificada
Ninguém mais seria testemunha do encontro
Somente os convidados estão autorizados
Somente os do mesmo pesado anel distante

Longe da distancias normais e perto da mente
Em uma confiante prontidão no vale das flores
O brilho verde iridescente denuncia seu olhar
Na ultima noite ouvi-o no sino da igrejinha

Livremente caminhando onde o tempo parou
O senhor também e teu pastor e nada te faltará
Do elmo dourado ao uniforme agora sangue rubro
As próprias cobranças em lagrimas silenciosas

De onde meus olhos não alcançavam as estrelas
Quem não viu teus olhos e quem te difamou
Sangramos onde eles celebram nossas falhas
Então traga o destino àqueles das falsas juras

A solidão foi a mais fiel de todas as companhias
Por um tempo não relacionável ao nosso tempo
A justiça foi a mais divina dádiva nessa terra
Onde os cavalos cospem-nos com o fogo da ira

O poço secou, mas a queda ainda é profunda
O vento sopra uma brisa quente que não refresca
Voltemos ao campanário de todos os caminhos
Onde os invigilantes humanos são vigiados


Recife, concluido em 16 de Janeiro de 2011
Cumpadreeee ...
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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

285> A INCERTEZA TRÊMULA



Algo que chega antes da exaustão da mente
Algo que toma as fibras e arrebata a alma
Na mais remota planície restou a contemplação
Típica dos possuidores do lápis da historia
Vertendo alegremente o próprio sangue
Quem virá agora definitivamente nos libertar
Da incerteza trêmula que nos levou a tombar

Alguns séculos depois as lagrimam ainda caem
Singelo pesar soprado pelas vozes do vento
Implícito entre a beleza delicada das flores
E a aspereza da sucessão dos duros invernos

O leque estendido dos mais humanos sentimentos
A minha solidão é filha de uma separação
Que se passou antes mesmo do nascer
E a vida fez-se um outono ainda sem frutos

Vejo candeias no meu tão único caminho
Fora dele memórias e faces desfocadas
Pelos anos no escuro labirinto
As velas delineiam a sombra dos lobos
Vitimando os que os fazem existir
Pois ao castelo escolheram o covil...
E que não seja o dragão o meu guia.


Recife,11 de Janeiro de 2011
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sábado, 25 de dezembro de 2010

284> NO VENTRE DA ROSA


Na convergência dos sentimentos terrenos
Surge uma aura sublime dentro do coletivo
As vozes se unificam em um único som
Vindo de todos os tempos e todos os lugares
E todos os já que morreram agora vivem

Seria a alegria tão relativa?
Nossa visão não abrange nada alem de nós?
Se eu jazesse em um leito seria o natal feliz?
E se o medo de morrer o tornasse o pior?
Meu Deus, outra vez o medo de morrer...

Se temer o inevitável fizesse sentido
Uma nuvem escura cobriria os sorrisos
Se tivermos uma visão estatística da vida
Então já estaríamos mortos em vida
Ao invés de vivos na morte

Fechei os olhos e corri para longe
Puro, livre e com alegria única das crianças
Tudo se completa no ventre da rosa
Pois entre as nuvens vislumbra-se o sol
E nas trevas girassóis esperam impacientes

No perímetro externo o trono cinza
Como quis ver o seu senhor sorrir
Mas alguns incorporam o sofrimento
A alva pele daquela que não sei nome
Trazia-me calor naquelas noites frias

Soube que uma estrela trouxe os três reis
Como brilhava na noite da ignorância humana
Uma canção e mãos invisíveis balançam o berço
É o tempo dos filhos ensinarem os pais
É o tempo dos donos do tempo


Recife, Natal de 2010
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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

283> OS PORÕES DA CONSCIÊNCIA


Um descuido momentâneo da guarda
O cadeado enferrujado estava aberto
Sinto o de dentro vestir-se de fora
Nos corredores a palidez das estatuas
Fantasmas de um passado morto

Procurando pelo real sentindo do perdão
Vagando entre o manifesto e o imanifesto
Qual deles sou eu ou quantos deles sou eu?
Todos foram eu um dia
Mesmo que em um sonho
Peregrinos separados do criador
O olhar separado da multidão

Magias e encantamentos sob pura fé
Tangiam as trevas
Com a força das palavras
Com a força da vontade
Nos porões da consciência
De joelhos rezo sozinho
De joelhos rezo por perdão


Recife,22 de Dezembro de 2010
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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

282> NOITES FEBRIS


Caminhando nas estradas do sem fim
Molduras de sorrisos e pinturas de dor
E ninguém se lembra da casa do artista
E tudo foi ficando cada vez mais distante
Onde sempre se começa aonde se termina

Mas hoje surge uma nova possibilidade
Através da camada espessa da noite
Uma estrada de luar estendida no mar
Minha ponte e também minha fuga
Outro retorno a terra dos aeródromos

Outra caravana se prepara para partir
O que ela achará da espada prateada?
Sendo que usamos a mesma farda

Historias das minhas noites febris
Onde nem tudo era consumido
Memórias do fogo protegidas
Gravuras arquivadas no tempo
Algo que se pode contar para si


Recife,21 de dezembro de 2010
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terça-feira, 30 de novembro de 2010

281> MÃE DE TODAS AS MANHÃS



Às vezes o céu se confunde com o mar
O que é primavera e o que é verão?
Palavras guardadas para nunca falar
Jardins que só existem na emoção
Mesmo que seja eu o único a sonhar

Cães ainda podem morder no andar a baixo
Não era meu aquele sangue na parede
Muitos hertz acima tudo brilhava
Meu pai onde estão tuas espadas?
Só assim poderei me aproximar

Corações impetrificaveis aos meus olhos
Tragam a tona as mais belas memórias
Mãe de todas as manhãs venha me cobrir
Sorrindo não temerei e usarei sua mortalha
Igual ao sol dourado que varre esse vale

Nome escrito na areia
Sangue proscrito na veia
Assim observo os caminhos
E quando me sinto sozinho
Acendo as luzes


Recife, Uma manhã de novembro de 2010
Também postado na Fabrica de Letras

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

280> OS COMPANHEIROS COM MANTO DE LÃ


O silencio tem vozes que vem de dentro
A essência e o sabor da verdadeira pureza
Na calada dos séculos vem com os profetas
Esvaziando a ânfora das intimas angustias
Face e pele são agora uma casca ressecada

Os naturais se tornaram estranhos ao mundo
Porque a febre do possuir não os possui
Já que todas as estradas sempre se unem
Assim como os desejos sempre desagregam
A noite ainda é escura assim como foi criada

É fato que a estamos sempre buscando
Não importa se já o temos
A uns se deve dar e a outros retirar
Mas a todos se deve equilibrar
E tudo segue sua própria natureza

Eu ainda sou eu, mas logo serei você
E assim que você for tudo será eu
Basta sermos como os cães
A verdade só se reflete se for verdade
A realidade manifesta uma só vontade


Recife,29 de novembro de 2010
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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

279> CASTELO DOS VENTOS BRANCOS



Em sonho bem acima do quinto céu
Vejo o castelo dos ventos brancos
Quase imperceptível entre as nuvens
Silhuetas enevoadas nos portões
Torres espiraladas de puro cristal
Sinos e as perfeitas oitavas musicais

No mirante de formas quase femininas
Passagem visual para a terra dos bosques
Varias realidades abaixo dos cirros
Era o mesmo que soprava na casa vazia
Era o mesmo que ligava os dois mundos
Cheios de odores das flores que se foram
Com as frias noites nos cobertores alados
Eles não possuíam nenhum dono
Sua senhora partiu na ultima primavera
Deixando apenas uma pintura na parede

A alva Iris dos campos a tudo recobre
Seu mortal hálito gélido sela o ciclo
Hora de guardar todas as sementes
Olhos levemente mais quentes que o ar
Pairam no retrato agora fora de esquadro
Único vislumbre do refugio distante
Única passagem para seu novo castelo
Onde o retorno é agora uma promessa


Recife,26 de novembro de 2010
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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

278> TODAS AS DORES DE CAIN


Quando o vento sopra de fora para dentro
Despindo o manto aveludado de nossos egos
Ate o mármore áspero do intimo ser visível
A dor onipresente de quem existe só por existir
O peso da sombra inegável e indesvecilhavel
Marca uma fronteira invisível entre instintos
E a natureza humana foi separada das demais

A essência é desvirtuada pela parte negada
Véus e tecidos finos cobrem a bestialidade
Areia veste o que esta enterrado na alma
A saga dos animais que não se viam animais
Desilusão transformada em profundos temores
E desses temores brotaram todos os males
Venenos que criamos e ingerimos veladamente

Fechando os olhos veio a escuridão
E na escuridão se pode ver a luz pura
Distintas das que brilham desfocadas

Pairando alem dos modelos atômicos
Atravessando uma barreira imaterial
Voa a parte mais indescritível de nós

Armadilhas elaboradas esperam o saber
Cercado pela angustia que nos marca
Quando nos afundamos em conhecimento

Uma voz reverbera sempre dentro de nós
Diferentes volumes, mas o mesmo dizer
Conexão imediata com o desconhecido
Algo que os presunçosos julgam conceber
Palavras perdidas no abismo da linguagem
O reflexo de todos os filhos de Caim
No fogo que não se apagará jamais

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

277> DIÁRIO DE UM CRUZADO


Um único olhar e o caminhar em silencio físico
Os últimos raios da manhã partem rumo ao oriente
Sobe e desce angular na ponta do astrolábio Mouro
A vaidade embriaga como o forte odor de gengibre

Sonhos com distantes e exóticos rostos
O que dirão nos seculos que virão
Nada do que foi escrito foi sentido
Nada do que foi omitido foi perdido

Arabescos brilhavam na escuridão
Lua crescente de todos os cavaleiros
Falavam com os seres do vento
Rezando como se fosse o ultimo luar

Uma criança chorava noite a fora
Uma distração indevida a meia noite
Transportado por lembranças ao lar
Seus olhos equilibravam-se nas orbitas

Quem escolhe quem deve sobreviver?
Quem deve caminhar entre cadáveres?
Decidir pelo que já foi a muito decidido
Através da penumbra a salvo na proa

Sem encontrar as respostas das perguntas nunca feitas
No reino prometido nada foi prometido por deus
De volta as sombras sem nunca ter visto as luzes
Cruzes de fogo nas marcas de nossas almas em pânico

Recife, 17 de novembro de 2010
Também postado na Fabrica de Letras

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

276> AQUELES QUE MORAM EM MIM


A sublime voz dos contos de vida e morte
Perpetua inabalável entre a incompreensão
Espelhos que jamais foram usados
Na pureza do primeiro pranto ao nascer
Perdida nos punhais afiados do tempo
Dilacerava corpo e alma

Perdoa aqueles que moram dentro de mim
Perdoa-me por não pacificá-los
Existe sentido na guerra pela paz
Somente Arjuna pode conceber
Somente eu posso me vencer

Em meus anos procurei um messias
Em meus planos me tornei um guia
Os cômodos eram escuros
As passagens estreitas
E todos eram da mesma família
Cavernas que Vollenweider desconhecia

Viver minha vida ao meu lado
Coexistir com tantos seres
Dentro e fora do que penso ser eu
A face mais absurda do ser humano
Não nos torna imperfeitos
Se a fé se une ao destino


Recife,12 de novembro de 2010

275> CONVULSÃO DE MUNDOS


Descendo escadaria de degraus laminados
O ser ainda não formado vai adormecendo
Na sala das chamas agora só há cinzas
Mas existem outros a muito formados
Personalidades forjadas em outros tempos
Combatendo pensamentos que já criamos

Eis porque nem sempre nos reconhecemos
Nos sonhos mais profundos e enigmáticos
Como um motim de impossível controle
As múltiplas pétalas de uma flor
Os vários espinhos
As inúmeras cores

Uma luz atravessa a deformação
Num piscar de olhos o retorno
Longe no tempo e em outras dimensões
Mas existe para sempre o ponto de fusão
Fio do rosário concebido e inconcebido
Esticado alem do nosso alcance visual

Bendita é a narcose que nasce conosco
Para novas raízes romperem o universo
Longe da fonte de todas as loucuras
Ate as asas negras da noite ressuscitarem
As vozes que convulsionam os mundos


Recife,12 de novembro de 2010
Também postado na Fabrica de Letras

terça-feira, 9 de novembro de 2010

274> NORMANDO E OS ANJOS



Um quarto não tão escuro quanto o primeiro céu
Ajoelhado todas as noites depois da ultima morte
A abobada estrelada e o decreto de retorno
Tempos diferentes e a lentidão do alfanje
Liberto pela luz de todas as estrelas

Eles costumavam observá-lo nos intervalos
A visão do vagamente preciso gigante negro
Não se iludia com as palavras voláteis
E a eloqüência dos sacerdotes o entristeceu
Foi quando eles trouxeram a revelação
“Normando Deus esta no começo e no fim,
Tudo entre o Alfa e o Omega é promessa divina”

A teologia nunca mais fará escravos
O vento soprou profético e a chuva caia
Foi assim que minha sala foi inundada
E pude sentir seu coração pulsando
Quem esta liberto e quem é prisioneiro?
Olhem para a verdadeira hierarquia
A sabedoria que quebra os cadeados
Retidão que mantém em pé
Até o medo se dissipar
Até o sonho se realizar


Recife,9 de novembro de 2010
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domingo, 7 de novembro de 2010

273> PRESSENTIMENTO


Tempestades de eletricidade sutil e imperceptível
Angustia e medo repentinos no ar cinza cortical
Ciclos de diferentes eus voltam a tomar forma
A deriva nos mares da incerteza momentânea

O tempo parece distorcido no meu referencial
Tudo perde dinâmica e reduz seu compasso
Os sentidos seguem alertas noutra realidade
A mão direita é preparada com o símbolo

Em ondas as percepções são restauradas
A singularidade se desfaz em sombras
Preparem a fogueira para queimar
Tragam as antigas preces e os cânticos

Aqueles acima dos riscos assumidos
Aqueles abaixo dos mundos possuídos
Unidos pela delgada membrana cônica
Separados na densa cortina da matéria


Recife,6 de novembro de 2010
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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

272> SOBRE A MORTE


Retângulos bem separados e bem protegidos
Muitas vezes acha-se que não se pode suportar
O velho retrato na sala e aquela mesma musica
E o dia se encheu de passado
E o dia se encheu de saudade

A através de desejos incontidos e não naturais
Todas as maneiras de negar o que não pode negar
Os olhares borbulhando se fazem presentes
Iniciando as vidas não vividas dos que ficaram
Isolados nas crenças egoístas da perda
Mas só se perde o que se possui

A especificidade torna a partida mais dolorosa
Em um mundo de solidão cada pétala importa
Os jardins divinos estão agora mais perfumados
As estrelas celestes estão agora mais sorridentes
Outro corpo deixou a alma
Outro sono para despertar

Os ponteiros continuam a marcha angular
Os porteiros têm muito a trabalhar
Em breve os salões estarão cheios
É o fim da mais maravilhosa aventura
Ou o inicio da mais cativante descoberta


Recife,3 de Novembro de 2010
Imagem by Aeterna Doloris

sábado, 30 de outubro de 2010

271> O SEGUNDO DUQUE


Corria ate a linha do sol poente
A dor dos anos que não passam
Mistura de temperos no suor e na areia
As vozes agora silenciaram ordenadas
Manifestações de um universo inconcebido

Transfigurado, deformado e inconformado
O real significado das flores do deserto
Clarões vindos de espaços a muito fechados
Águas que corriam e lembranças indragáveis
Oceanos que se perderam para sempre

Deixe que eles vejam o meu anel
Testemunho da vida e morte de milhares
Na cor do sangue dos que amei
Deixe que a areia resseque toda vitalidade
Como a saudade amarga a vida

Rabiscos iluminados na aurora dos homens
Canções tristes ecoam nos astros distantes
A natureza nunca foi apenas planetária
Toda grandeza foi apenas um aviso
Que nada se vem ou se vai em vão


Recife,30 de outubro de 2010
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270> AO LAR


Se outrora atravessei as estrelas em partes
A lembrança se encontra em alguns pedaços
Os dias no cosmo são demasiadamente longos
Não vi primaveras nem outras estações

Pedregulhos na rua quase deserta
Arvores e seres cinzas nas esquinas
Escute os cães felizes ao longe
Meus passos fazem-se mais altos

Criaturas obscuras que atravessaram os portões
Eu voltei
Seres dos jardins das flores do tempo
Novamente eu cheguei
Minha guarda pessoal e os oito caninos
Minha leal matilha


O vazio deve ser sempre preenchido
Pois tronos precisam sempre de um rei
Registros anotados no livro sem paginas
Visitas ancoradas no porto dos sorrisos
Água varre os salões empoeirados
Alegria veste os corações
Eu me lembro daquele dia
Eu nunca esqueci meu lar


Recife,30 de outubro de 2010

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

269> ESTRADA DOS VAGA-LUMES


Inúmeras formas de se expressar
Existem tantos quintais sem cercas
Ruas que convergem em outras ruas
Os mesmos desconhecidos conhecidos
Foi loucura partilhar minha vida

Vaga-lumes só são percebidos no escuro
A intermitente lembrança da luz do dia
E assim a beleza sempre será notada
E assim a pureza sempre será um alvo
Criaturas incendiadas
Criaturas iluminadas

Deixem-me dormir só por hoje
Viver apenas em um mundo
Acordar e acha que tudo foi sonho
Cai e nunca se ferir
Não ser a primeira pedra
Mas minha vida não me pertence
Nada realmente pertence a alguém
Tudo transita e é transitório

De volta à estrada dos vaga-lumes
Cresci, cresci em muitas voltas no sol
Junto a um mundo tão próximo de outro
Intersecção dos nossos campos visuais
Tantas vezes invisíveis
E nada parece parar
Onde tudo se percebe


Recife,27 de outubro de 2010
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terça-feira, 26 de outubro de 2010

268> SENHORA DOS AFLUENTES


A vi em uma moldura no rio de águas caudalentas
Na margem distante seu antigo amado ou carrasco
Mas nem tudo foi feito para ser entendido
Algumas portas deveriam estar fechadas

Vermelho, vermelho vivo e vermelho sangue
Quem sois e o que quereis ?
Um vidro entre o superficial e o profundo
Uma lamina entre o divino e o profano
E muitas vidas entre a razão e o absurdo

Sua face abaixo do espelho d’água
Seu sorriso além do tempo
Suas imagens em meus sonhos
A passagem ainda aberta
Na casa da rua de barro


Recife,26 de outubro
Imagem da excelente paisagista Claudia Casella

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

267> OS QUATRO PILARES DE ARUBA


Avistava a sombra de seres naquela prisão
Ainda ouviam-se os gemidos na noite pálida
Todos estavam onde tinham sido deixados
Hinos incompreensíveis de outros orbes
A saudade assumiu sua face mais obscura
Alem dos muros as lagrimas secaram
Alem dos mundos das energias colapsadas

Os quatro pilares nos portões do Caribe
Avança o alvo navio da dourada guardiã
O vento girava-me em um grande circulo
Na areia arvores imateriais e os refugiados
No meu olhar a perceptível determinação
Aquele ser não mais traria o desespero
Encolhido e derrotado na teia imantada

Os olhos das mães procurando seus filhos
O desespero dos pais vestindo suas filhas
Imóvel vejo tudo em preto e branco
Minha força vem de todas as mães
Minha permissão vem de todos os pais
Ergo a mão direita ceifando-lhes o mover
E que nadem nas lagrimas que geraram


Recife(astral),17 de outubro de 2010
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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

266> MARIPOSAS VISCERAIS



A primavera não acabou, mas já passou
Assim breve, sem flores e sem lagrimas
Por todos os cristais dos meus bolsos
Meu sangue nas entranhas dos insetos
Pequenos Judas alados para culpar

Neste jardim o sol sempre se põe no ocidente
E as sombras não pairam no fim de tudo
Agora uma cerca divide meu outubro
A expressão separada de um olhar incipiente

Vestidos e ornamentos dourados no ébano
Que vá em paz vidente do fim do mundo
Que fique em paz com o ouvinte surdo
Quem espera tem os séculos para esperar
Quem nada espera nunca terá outro engano

Uma mariposa repousa sobre a luz
Cartas escritas sobre a mesa escura
A linha da face não mais atenuada
O destino sempre exerce sua vontade


Recife,14 de outubro de 2010
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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

265> EU, DÉDALO



Da chama de Prometeu ninguém se recorda
O fogo divino a muito perdido na memória
A ação e o verbo pesados como este mundo
Terrível tendência estática dessas vibrações
Cobiçada colméia cheia de mel e de ferrões

Outros nascem para somente viver
Muito alem do nascer e do morrer
A aldeia nos sonhos de Kurosawa
A Melina viva nos meus sonhos
A esperança na caixa de Pandora

Nessas leis o giro do spin importa
O jogo de luz e sombra faz o ocaso
Mas no tabuleiro nada é por acaso
Toda retina sabe a luz que suporta

Cercado dos melancólicos efeitos do saber
Encurralado entre uma imperfeita dialética
Enamorado por pensamentos não polarizados
Enraizado a algumas das mais antigas crenças
Se soubessem como o conhecer pode libertar
Saberiam que sempre é melhor saber

Pastoreando energias no campo unificado
Construindo um mundo reflexo no pensamento
Onde o pequeno reflete o maior
E o maior nada é mais do que pequenos

Saber sem ver é saber sentindo
Nem todas as aves podem voar
E nem todos os animais são aves
Felizes serão quando acreditarem
Que não somos como as aves
Mas um dia todos voaremos


Gravatá-Pe,12 de outubro de 2010
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Andrea Pisano sec XIV

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

264> EPÍGRAFE DE UMA EXISTÊNCIA



É sempre tão difícil quando descemos aqui
E meus pés tocaram novamente esse chão
Às vezes úmido e fértil como minha imaginação
Outras vezes áridos e fatais como meus instintos
Incertezas crescem juntamente com a criança
Olhos temerosos e confiantes fixos no meu céu
Pedras do passado constroem castelos no futuro

Antes e durante soube das tempestades de areia
Vultos aglomeram-se nas cercanias da alma
Que o vento arranque suas carnes e seus capuzes
Que o vento só me traga o perfume da vitoria

Estranhos não tão estranhos riam da queda
Ignorando os grandes planos já tecidos
Enviando suas temidas bestas voadoras
Braços malditos de muitas desventuras

As estrelas estavam la sempre para lembrar
O ar trazia partículas de uma outra época
Tudo em um claro e silencioso complô
Os símbolos rasgaram a pele e abriram os olhos
E a fusão de tudo iniciou em um brilhante sol
Incapaz de ser retido por um tórax ou um corpo
Aspirações fustigadas por elevadas magnitudes

Abram o mapa dessas regiões e suas passagens
As armas devem servir seu verdadeiro dono
Todos os exércitos prontos para semear e podar
Em nome do inominado agora assim como eu


Recife,11 de outubro de 2010
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sábado, 9 de outubro de 2010

263> ZEPHYROS NO DESCANSO DAS ALMAS


Desloquei-me ate os lírios que você avistou
Onde crianças rodopiavam no vento oeste
La pensei em varias formas e vários nomes
Ate o coração bater o mundo fora de mim
Então voltei para enxergar os que eram leves

Um balão expandiu e a tudo englobou
Flutuando sem saber o peso do ar
Ou talvez importunado pela densidade
Levitando pela estrada das quatro raposas
Ate a casa mais alta da colina entre vales

Ate que as vozes da natureza silenciaram-me
À noite e seus mais belos fantasmas obscuros
Pele clara imaculada sempre perto do fim
Vem tomar mais uma vez meus sentidos
Dama regente de todos os segredos velados

Um rio distorcia suas águas ate desaparecer
Onde a ultima maré destruiu nossos castelos
Os frágeis cavalos marinhos e sua benevolência
Face a face com o poderoso tridente de Poseidon
Memórias lançadas desoladas junto ao sargaço

Surpreendido novamente nas portas de novembro
Um desajustado nó do destino chega a galope
Se eu pudesse escolher me libertar para sempre
Seria obrigado a me despojar de meus pedaços
Para ver sonâmbulos acharem que estou dormindo


Gravatá-PE,9 de outubro de 2010

262> VOZES NA JANELA DO ALTO


Ouvi dizer que os homens do mar viram algo
Na queda do por do sol no eqüidistante horizonte
Coisas que só se sabe nas historias imemoriais
Coisas que sábios nem sempre contam aos filhos
Quando o sono não pode mais ser uma fuga

Cheio de um novo vigor foi o renovado desejo
Historias de garotos nos contos das almas antigas
Assim eram os fatos nos tronos do alem mar
As belas esmeraldas e turmalinas bem protegidas
As infâmias e blasfêmias agora todas naufragadas

O sal ressoa ao vento poucos palmos acima do mar
E só eu estou a ouvir e ver o silencio nascer
Ou será que eu me percebo só ao lado das estelas
Claro que oriundas do mar que corre no céu
E fui eu mesmo em outra hora em outro lugar

Impérios caídos nas tortuosas estradas conhecidas
E sempre estivemos juntos na guerra pré-concebida
Mil pedaços espalhados compõem a aventura
Mil milênios e ainda mentimos sabendo a verdade
Os sorrisos e as lagrimas que a muito escolhemos


Gravatá-PE,9 de outubro

terça-feira, 5 de outubro de 2010

261> OS ULTIMOS DIAS DE COSSETTE


O concerto subia o tom dos violinos
Perdidos no vasto salão aveludado
Três fileiras adiante
Três fileiras de desejos
Assim eu a via no teatro das emoções

Queria tocá-la, mas ela não estava ali
Queria amá-la, mas não aqui
A opera seguia o meu pulso
A vida palpitava no peito
Ninguém esquecerá esse capitulo

Moselle, Musel e depois Mosel
Da torre do castelo vi seu barco
O vestido tocava a água serene
Corri junto com os sinos vespertinos
Corri do tempo que nos afastou

Troquei todo o ouro do reino
Neguei todas as nefastas profecias
Condenei o dia a viver a noite
E nunca retornei ao grão-ducado
Ignorando as noticias de Mertert

A insanidade surgiu a passos leves
Quando as cores fugiram das flores
Poupando apenas os buquês que colhia
Colocados no mármore daquela lápide
Eterna depositaria da minha desventura


Recife,5 de outubro de 2010
Também postado na Fabrica de Letras

sábado, 2 de outubro de 2010

260> ENSOLARADA TARDE DE OUTUBRO


A tarde avança perto do seu fim
Todas as flores do meu jardim
Meus amigos estão longe
Meu eu esta tão próximo...

A preguiça do sol de outubro
Uma brilhante laranja rosa azulada
Derreteu o cinza das pálidas cidades
E as horas tornaram-se em paz
Para admirar a sinfonia dos três reinos
A poeira ergueu-se da estrada
Mas eu já estava em casa

Lembranças das épocas do fogo
Depois da redenção eu fui
Depois da desolação eu voltei
Livre para crer e para caminhar
Ate a gênese de um novo ciclo

As oitavas de minha mente
A separação e o meu desjeito
Fez de mim um distante estranho
Minha estrela incendeia o peito
Longe da atenção dos olhos desatentos
Libertando as almas que a tocarem

O céu pintou-se de cores Cuzquenhas
Paralisando meus sentidos
Ao momento impar onde Rá toca a terra
Livrará o outro lado da ilusão das trevas
O vento se apressa em aquecer minha alma
As estrelas não têm mais pressa
Como tudo em outubro

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

259> NOITE, INEQUIVOCA NOITE



O ar umedecido embriagava as luzes dos postes
Como são mágicos os suspiros da madrugada
O encanto do mistério que se torna visível
Fadas da água dissolvidas em sutis nevoas
Nas estradas vazias da colina do passado

A noite faz valer seu direito ao silencio
Apenas os insetos discordavam
E na quietude muitas vidas passavam
Fagulhas intermitentes no campo unificado
Onde um sabia do outro em qualquer lugar

Desafiadores como aquele canto cigano
Sublimes como aquelas fervorosas preces
Assim girava a moeda da noite no tempo
A coroa da regeneração iluminada do alto
Ou cara da destruição orquestrada a baixo

Horas inundadas de liberdades proibidas
Assim era a projeção humana da noite
Na sua calada ou nos sonhos vividos
E no mais belo dos sonos eu dormirei
E na mais bela das vidas eu sonharei


Gravatá,primeiro de outubro de 2010

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

258> A ESPADA NOVAMENTE OUTORGADA


Cobro o preço de inúmeras injustas demandas
Agora ele funde ferro e forja a lamina
Quase apto quase pronta
A passagem era errada e eles ousaram
Clones e replicas ligados a seus mestres
Explodidos, triturados e despedaçados
Na espada o no chicote

Cicatrizes de cortes no abdômen
Bonecos de madeira deformados
Antes da fúria havia meticulosidade
Equilíbrio da luz do saber com ferro do agir

Nas lembranças preservadas na carne
Penso não desejar aquele desfecho
Não entendo meu efetivo proceder
A meia lua ascendente coroada de estrelas
Cruzadas por espadas sob a estrela maior
Os infames caindo a esquerda
As mentiras destruídas a direita

A ação concreta e domínio do mental
A dose correta, nem antes nem alem
No cálice de Roma, a tênue linha
Entre a equilibrada celebração e a embriagues
O segredo da vitoria ou da derrota
O segredo da vida ou da morte
A dialética sempre observada
Afinal somos seres da luz